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Autoridades em Lisboa “atentas” ao ataque em Orlando

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JUSTIN LANE

Especialistas em terrorismo em Lisboa e Londres acreditam que atiradores como Omar Mateen, que matou 50 pessoas nos EUA, representarão “o maior perigo” para o Ocidente. MNE envia condolências às vítimas do terrorismo

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O Governo e as autoridades portuguesas estão a acompanhar "atentamente" o ataque terrorista de Orlando, nos EUA, no qual morreram 50 pessoas numa discoteca LGBT. Uma fonte oficial revela ao Expresso que "tudo aponta para conjugação das duas teses que têm sido divulgadas: de ser um ataque homofóbico e um recém simpatizante do Daesh". As ligações de Omar Saddiqui Mateen, 29 anos, ao grupo terrorista parecem ser "sólidas" acrescenta outro responsável ouvido.

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, enviou uma mensagem às vítimas de Orlando: "Gostaria de transmitir as nossas profundas condolências, em nome do Governo e do povo português, a todas as vítimas seus familiares." O ministro português faz questão de demonstrar "a forte condenação" ao ataque terrorista e a "permanente solidariedade" para com os EUA.

"Tudo indica tratar-se de um caso de um 'Lobo Solitário', fruto de um processo de jiadização autóctone. Isto é, não se depende de uma estrutura ou comando para se fazer um ataque em nome de qualquer organização jiadista (seja Daesh, seja al-Qaeda). Em última instância, qualquer um pode fazer um ataque jihadista", defende Felipe Pathé Duarte, professor universitário, especialista em terrorismo e porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT).

Este investigador acrescenta que "a longo prazo, os lobos solitários e as chamadas "self-starter cells" representarão o maior perigo para os países do ocidente".

A tese é partilhada pelo britânico Shiraz Maher, diretor do International Centre for the Study of Radicalisation and Political Violence ( ICSR), do King's College, em Londres, e um dos maiores especialistas britânicos em terrorismo.

"Parece-me muito provável que o atirador de Orlando talvez possa ter prometido fidelidade ao Estado Islâmico mas o ataque não foi preparado pela organização terrorista", escreveu na sua conta do Twitter.

Rui Pereira, ex-ministro da Administração Interna, salienta que pela primeira vez a homofobia surge como motivação para um atentado terrorista. "É muito preocupante", afirma ao Expresso.

Considera "lamentável" o facto de o atirador ter um historial de radicalismo e estar a exercer funções como segurança privado, além de ter acesso a armas. "A arma que usou estava legalizada", lembra.

Para o especialista em segurança, Paulo Pereira de Almeida, se a Europa e os EUA não endurecerem legislação e se não investirem na "desradicalizacao" dificilmente este tipo de atentados terão um fim. "Há também um misto preocupante de doença mental, desintegração social e religião como pretexto para assassinar em massa", conclui.

O investigador português José Manuel Anes, também especialista em segurança e terrorismo, lembra, em primeiro lugar, a facilidade com que se compram armas de assalto nos EUA. E segue a mesma teoria de Felipe Pathé Duarte e Shiraz Maher. "Parece claro que se trata de um ato de terrorismo individual embora inspirado ao que tudo indica pelo Daesh."

José Manuel Anes salienta aquilo a que será "o cruzamento" entre um 'crime de ódio' contra a comunidade homossexual e um ato jiadista. E tece críticas às autoridades norte-americanas: "Se o atirador estava referenciado pelo FBI estranha-se que continuasse numa empresa de segurança".

Para Paulo Côrte-Real, da ILGA, trata-se de um crime "chocante, intolerável e violentíssimo". O dirigente recorda que o ódio contra a comunidade Gay e lésbica de todo o mundo tem tido ao longo dos anos "várias expressões" e que tem como fim o de "gerar medo nesse grupo".

Ao contrário do que se sucedeu em janeiro do ano passado, depois do ataque terrorista em Paris, em que uma onda de solidariedade global levou milhões a dizer "Je Suis Charlie", Paulo Côrte-Real não acredita que agora nasça um movimento semelhante em defesa da comunidade LGBT. "É sintomático do medo que se vive em todo o mundo", explica.

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