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Meio milhar de ativistas portugueses querem fechar a central nuclear de Almaraz

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João Carlos Santos

Manifestação ibérica pelo fecho da central nuclear de Almaraz tem lugar este sábado, em Cáceres, na Estremadura espanhola. Esperam-se mais de 500 ativistas portugueses

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Mais de meio milhar de ativistas portugueses vão participar este sábado na maior manifestação antinuclear luso-espanhola. O lema é "Fechar Almaraz - Descanse em Paz" e tem como alvo a central nuclear, localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa e que tem os dois reatores mais velhos de Espanha.

O objetivo é pressionar os partidos candidatos às legislativas espanholas de 26 de junho para que se pronunciem sobre o encerramento escalonado desta e das outras quatro centrais nucleares existentes no país vizinho. A concentração está marcada para as 18h em Cáceres.

Pelo menos 12 autocarros vão sair de vários pontos de Portugal para a "jornada de luta". Entre os manifestantes nacionais contam-se os dirigentes do Bloco de Esquerda, do PAN, de Os Verdes e do Partido da Terra, assim como de grupos ambientalistas como a Quercus, a Zero ou o Movimento Ibérico Antinuclear.

Os ativistas lembram que o Parlamento português já manifestou a sua preocupação sobre os riscos da central de Almaraz, tendo em conta os problemas de segurança desta unidade localizada junto ao rio Tejo, cujas águas utiliza para refrigerar os dois reatores que contam 35 anos de vida.

No início do ano, inspetores do Conselho de Segurança Nuclear alertaram para problemas de segurança relacionados com as bombas do sistema de refrigeração dos serviços essenciais da central de Almaraz. Esta unidade soma também meia centena de incidentes desde que o primeiro reator começou a funcionar em 1981.

A plataforma que organiza a manifestação lembra que se houver um acidente grave, Portugal pode ser afetado através da contaminação radioativa das águas do Tejo, ou da atmosfera, dependendo da direção e velocidade do vento. Os maiores impactos seriam sentidos na zona fronteiriça, em especial nos distritos de Castelo Branco e Portalegre.

O programa de 11 de Junho

12h - 14h - No Paseo de Canovas, em Cáceres, haverá uma exposição antinuclear, bancas de informação, artesanato, pintura para crianças, ateliers de contos e teatro
16h - 17h - momento de microfone aberto para as mais de 40 organizações presentes
17h - 18h - concertos musicais com bandas locais solidárias com as reinvindicações de encerramento da Central Nuclear.
18h - concentração e marcha de dois quilómetros pela cidade, até à Plaza Mayor de Cáceres