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Defesa da Escola Ponto critica apelo do PS à participação na marcha em defesa da escola pública

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PAULO NOVAIS / LUSA

Na quinta-feira, o PS emitiu um comunicado a apelar à mobilização dos socialistas na marcha marcada para a próxima sexta-feira, em Lisboa, iniciativa que se assume contra a conceção do ensino público como “supletivo” do privado

O Movimento de Defesa da Escola Ponto criticou esta sexta-feira o apelo do PS à participação na “marcha em defesa da escola pública”, considerando que devia manter-se “à margem de uma cruzada ideológica e corporativa” que prejudica as comunidades.

Na quinta-feira, o PS emitiu um comunicado a apelar à mobilização dos socialistas na marcha marcada para a próxima sexta-feira, em Lisboa, iniciativa que se assume contra a conceção do ensino público como “supletivo” do privado.

Esta iniciativa foi reprovada pelo movimento que, em comunicado, diz “lamentar profundamente” esta posição do PS. “Faz muita impressão ver o Partido Socialista (...) aliar-se à extrema-esquerda e ao mais empedernido corporativismo contra as comunidades, contra as famílias, contra os trabalhadores e os professores que apenas lutam pelo que consideram ser as suas razões e os seus direitos”, sublinha o comunicado.

Para o movimento, o que está em causa nesta marcha “são, apenas e só, as preocupações partidárias e corporativas de 'não perder a rua' para um movimento espontâneo da sociedade civil, que é rigorosamente independente, transregional e profundamente desinteressado nos seus fins”. Sublinha, a este propósito, que a marcha foi convocada pelo líder da Fenprof, Mário Nogueira e “conta com a organização da CGTP e do PCP e com o trabalho mediático do Bloco de Esquerda”.

“Como os portugueses já compreenderam, não está em causa a defesa da escola pública, causa essa que é exatamente a mesma que move este movimento que luta para que o Estado cumpra até ao fim os contratos de associação que assinou com 79 escola”, adianta a organização.

Por outro lado, acrescenta, os portugueses também “já compreenderam que, mais tarde ou mais cedo, os tribunais irão decidir que os contratos de associação que estão em vigor não podem ser interrompidos”. Por estas razões, o movimento considera que o Partido Socialista devia “manter-se equidistante” desta marcha.

O movimento de Defesa da Escola Ponto apela ainda ao primeiro-ministro, António Costa que perceba “os dois equívocos” em que o Governo e o PS estão envolvidos: “Os colégios representam uma poupança no Orçamento de Estado e constituem, pela sua qualidade, uma defesa inequívoca da escola pública”. Nesse sentido, defende, o PS deveria manter-se “à margem de uma cruzada ideológica e corporativa que, objetivamente, prejudica comunidades inteiras sem qualquer ganho”.

A marcha acontece após o Governo ter revisto os contratos de associação entre o Estado e os ensinos privado e cooperativo, o que gerou fortes protestos por parte de professores, alunos, pais de estudantes e responsáveis desses setores afetados. No comunicado, o PS salienta que a criação de uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população é uma exigência constitucional.