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Provas de aferição não servem para comparar escolas, diz presidente do CNE

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David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação

Luís Barra

Para o ex-ministro da Educação, a medida implementada por Tiago Brandão Rodrigues, em substituição dos exames de 4º e 6º ano, irá dificultar o diagnóstico de outros problemas

As provas de aferição não servem para comparar resultados entre escolas, o que vai dificultar o diagnóstico de alguns problemas e classificação destas nos rankings, diz David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, em entrevista à “Renascença” no programa “Terça à Noite”. “Não vai ser comparável, porque a informação vai ser fornecida ao aluno e à escola”, explica.

Para o ex-ministro da Educação, a medida implementada por Tiago Brandão Rodrigues, em substituição dos exames de 4º e 6º ano, irá dificultar também o diagnóstico de outros problemas.

“Sou capaz de identificar a olho nu se uma pessoa está em estado febril ou não, mas eu não sei qual é a febre que tem nem o problema que está a gerar a febre. Não podemos mandar o termómetro embora. Temos uma observação que não vai ser suscetível de ser quantificada e não sendo quantificada não permite ser comparável”, afirmou David Justino.

Quanto à intenção de reduzir o número de alunos por turma, uma medida apoiada por todos os partidos de Esquerda, também não irá resolver o problema, explicou David Justino. “Vamos admitir que eu tenho uma turma de 30 alunos. Se reduzir de 30 para 28 ou 26, mas continuar a ensinar da mesma maneira eu não vou resolver problema nenhum”, disse.

O ideal, para o presidente do CNE, seria dar liberdade às colas para aumentar ou diminuir o número de alunos por turma, uma ideia que faz parte das conclusões de um estudo sobre combate ao insucesso escolar, que vai ser apresentado esta semana, revelou.