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Os 10 mil euros que Carvalhão Gil recebeu “foram de natureza comercial”

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Advogado do funcionário do SIS detido em Roma garante ao Expresso que a transação feita por Frederico Carvalhão Gil num café em Itália nada teve de ilegal

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

"O meu constituinte está confortado pelo facto de nenhum dos amigos dele ter acreditado nas versões que correm por aí sobre ele", diz ao Expresso o advogado José Preto, que representa Frederico Carvalhão Gil, o agente do SIS detido em Roma dia 21, e que é esta tarde interrogado pelo Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa.

Em todo o caso, o advogado lembra que Carvalhão Gil atravessa "uma situação tremenda do ponto de vista humano".

Sobre o processo, José Preto garante que a transação feita por Carvalhão Gil num café em Roma nada teve de ilegal. "Há uma verba recebida de 10 mil euros mas o objetivo é de natureza comercial", afirma.

Não quis adiantar mais do que o que já havia referido durante esta terça-feira à agência Lusa.

O funcionário do SIS detido a 21 de maio em Roma por alegada espionagem e outros crimes vai refutar as imputações do Ministério Público quando for interrogado pelo Tribunal Central de Instrução Criminal.

José Preto revelou à Lusa que juntou 11 páginas aos autos do processo, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) nas quais invoca "um conjunto de irregularidades" relacionadas com a detenção de Frederico Carvalhão Gil em Roma.

"É tudo completamente ilegal. É tudo um disparate pegado", disse José Preto, alegando que "o que está em causa é uma absoluta ficção".

Segundo os investigadores, o funcionário do SIS é suspeito de transmissão de informações a troco de dinheiro a um agente dos serviços de informações russos, estando em causa crimes de espionagem, violação do segredo de Estado, corrupção e branqueamento de capitais.

O advogado disse ainda que "não houve troca de envelopes" no encontro em Roma entre Frederico Carvalhão Gil e um cidadão estrangeiro, que é apontado pelos investigadores como sendo alguém ligado a um serviço de informações russo.

José Preto desafiou ainda os investigadores a provarem o flagrante delito e a apresentarem as provas da venda de segredos da NATO porque o seu constituinte "não vendeu informações".

Admitiu que Frederico Carvalhão Gil vai refutar as imputações porque é "tudo aberrante".

José Preto classificou o teor do mandado de detenção europeu de "uma indigência absoluta" e lamentou que Frederico Carvalhão Gil não tenha tido, logo de início, em Itália, um acompanhamento jurídico adequado, porque até havia motivos para se opor à vinda para Portugal.

Em Itália, observou, Frederico Carvalhão Gil teve um advogado oficioso que só falava italiano e o detido "não fala em italiano".
José Preto insistiu que o processo a Frederico Carvalhão Gil constitui uma "absoluta violação de todas as normas de direito interno e de direito internacional". Referiu, por exemplo, que o MDE "não foi entregue no momento da detenção".

O advogado sublinhou que o funcionário do SIS está detido há 17 dias em regime de cumprimento de pena e que ainda não foi ouvido pelo juiz do TCIC.

Entretanto, na sua página do Facebook, José Preto critica o facto de a SIC ter acompanhado e filmado a operação policial que trouxe Frederico Carvalhão Gil a Portugal.

Escreve ainda que a versão de que o "espião" terá sido "apanhado a transaccionar informação" exigia demonstração que não foi dada.

"E se houve informação da NATO ali transmitida, publiquem o respetivo registo no auto já que ali se teria tratado de detenção em flagrante´", lê-se na sua página pública de Facebook.

  • O espião português que tem a vida (quase) toda no facebook

    Agente do SIS foi detido por suspeitas de espionagem a favor da Rússia - detenção aconteceu sexta-feira, autoridades confirmaram segunda-feira. Tinha, e continua a ter, uma página no Facebook em que publica fotografias suas atuais e antigas, fotos de viagens a vários países de Leste e imagens da história da Rússia. Quem disse que um espião tem de ser discreto?