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Inédito na medicina portuguesa: bebé nasce com a mãe em morte cerebral há 15 semanas

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Mulher com 37 anos estava hospitalizada no Centro Hospitalar de Lisboa Central desde 20 de fevereiro e foi mantida ‘viva’ artificialmente para permitir a gestação de um rapaz, nascido esta terça-feira

É um dos milagres da medicina e um caso único em Portugal. Uma grávida de 37 anos em morte cerebral desde o dia 20 de fevereiro, continou internada e mantida 'viva' por máquinas até esta terça-feira para que o filho pudesse nascer. O bebé, do sexo masculino e com 32 semanas de gestação, nasceu esta tarde com 2,350 quilogramas no Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), que inclui os hospitais de São José e a Maternidade Alfredo da Costa, entre outros.

Em comunicado, a unidade explica que "as equipas de obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos procederam, esta tarde, a uma cesariana programada eletiva com o objetivo de fazer nascer uma criança, cujas últimas semanas de gestação ocorreram com a mãe em estado de morte cerebral". O parto, por procedimento cirúrgico, aconteceu sem complicações, encontrando-se o recém-nascido na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do CHLC.

A mãe ficou em morte cerebral "na sequência de uma hemorragia intracerebral", declarada no dia 20 de Fevereiro, pelas 23h43. A equipa médica "perante a gravidez em curso, considerou que o feto se encontrava em aparente condição de saúde". "Após parecer da Comissão de Ética e Direção Clínica do CHLC, e numa decisão concertada com as famílias da mãe e do pai da criança, foi acordada a manutenção da gravidez até às 32 semanas, por forma a garantir a viabilidade do feto".

É ainda explicado que foi nomeado "um Conselho Científico para acompanhamento do processo", integrando um representante da Ordem dos Médicos, um elemento da Comissão de Ética, um obstetra e a equipa de intensivistas. "De acordo com as equipas médicas que acompanharam o caso, trata-se do período mais longo alguma vez registado em Portugal, 15 semanas, de sobrevivência de um feto em que a mãe está em morte cerebral".