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Milhares de alunos estreiam hoje as novas provas de aferição

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Nuno Fox

Testes não contam para nota, realizam-se no 2º, 5º e 8º, mas quase metade dos estabelecimentos de ensino ficam de fora este ano

Comparando com os dias de exames, serão muito provavelmente horas de menos nervos para os alunos do 2º, 5º e 8º que esta segunda-feira estreiam as novas provas de aferição, criadas pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues. Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos com as provas nacionais, os testes de hoje, que incidem sobre o Português, não contam para a nota final. Não vão obrigar a mudanças de escola e serão vigiadas pelos professores da turma.

A ideia, explicou Tiago Brandão Rodrigues quando apresentou o novo modelo de avaliação externa no ensino básico, é que escolas e professores percebam quais as dificuldades dos alunos a meio do ciclo e que as possam corrigir até ao final do mesmo. E que as avaliações não se centrem apenas na Matemática e Português - nos próximos anos e de forma rotativa, incidirão sobre outras disciplinas do currículo. Por exemplo, as provas de hoje do 2º ano já têm uma componente de Estudo do Meio.

Outra das novidades é que, pela primeira vez, será avaliada a compreensão da componente de oralidade, com os alunos a ouvirem um texto e a responder de seguida.

Ano de transição

Mas este é um ano de transição entre os dois modelos. Com o fim dos exames do 4º (via Parlamento) e do 6º (por decisão do Governo), o Ministério da Educação queria que todas as escolas fizessem as novas provas em 2016, mesmo com o anúncio das alterações a ser feito em pleno 2º período.

As críticas foram muitos e os apelos à estabilidade e previsbilidade, incluindo de Belém, levaram a que Tiago Brandão Rodrigues admitisse um regime transitório, em que foram as escolas a decidir que queriam fazer as provas de aferição já este ano: 57% disseram-se dispostas a avançar, as restantes só no próximo ano letivo.

Os números do Ministério indicam que a percentagem de adesão foi mais elevada na Área Metropolitana de Lisboa (62% dos estabelecimentos de ensino realizam-nas) e mais baixa no Algarve, com menos de metade (43%) a aderirem.

“O teu empenho é muito importante”

O recurso a provas de aferição, sem peso na avaliação dos alunos, não é novo, tendo sido introduzido por anteriores governos socialistas. A novidade é que agora se realizam a meio do ciclo, quando antes aconteciam no 4º e 6º anos.

O maior risco é o de desvalorização dos alunos na hora de fazer os testes. O Instituto de Avaliação Educativa, responsável pela avaliação, faz por isso um apelo directo aos estudantes na nota informativa que divulgou: “Ao realizares estas provas vais poder confirmar o que já aprendeste e o que consegues fazer, mas também os aspetos que podes melhorar. O teu empenho na realização das provas é, por isso, muito importante”.

Escolas, professores, alunos e pais vão depois receber um Relatório Individual da Prova de Aferição (RIPA), com a "caracterização detalhada do desempenho de cada estudante em cada prova".

O Ministério não diz quando é que os relatórios estarão prontos, mas a ideia é que a informação seja disponibilizada a tempo de "preparar o lançamento do ano letivo de 2016/17 de forma ainda mais sustentada".

Na quarta-feira, realizam-se as provas de aferição de Matemática. Nesse dia como hoje, os alunos do 2º e 5º ano têm a prova às 10h30 e os do 8º às 14h30.