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“Fruta doce, verdade amarga”: ONG denunciam violações de direitos humanos nas plantações de fruta tropical

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RODRIGO BUENDIA / AFP / Getty Images

Em Portugal, o projeto 'Fruta Tropical Justa', que envolve 19 parceiros de 17 Estados-membros da União Europeia, é coordenado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) que lançou a petição 'Lidl, queremos um jogo justo' para promover a melhoria das condições de vida e económicas dos trabalhadores e o comércio justo

Várias organizações não-governamentais (ONG) lançaram uma campanha para denunciar violações dos direitos humanos nas plantações de fruta tropical, alertando para o facto de fornecedores de hipermercados como a cadeia alemã Lidl desrespeitarem os direitos laborais.

Em Portugal, o projeto 'Fruta Tropical Justa', que envolve 19 parceiros de 17 Estados-membros da União Europeia, é coordenado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) que lançou a petição 'Lidl, queremos um jogo justo' para promover a melhoria das condições de vida e económicas dos trabalhadores e o comércio justo.

Ana Mónica, técnica de projeto do IMVF, salientou que o Lidl faz parte do grupo Schwarz, a maior empresa de retalho da Europa, pelo que tem um impacto muito grande nas cadeias de abastecimento mundial. “Qualquer mudança nas suas práticas vai-se refletir em todos os aspetos desta cadeia”, considerou, acrescentando que embora o Lidl já comercialize alguns produtos de comércio justo, “o que é positivo”, não o faz com a fruta tropical.

Um relatório da ONG internacional Oxfam Deutschland sobre a indústria da banana no Equador e do ananás na Costa Rica, designado 'Fruta doce, verdade amarga', atribui responsabilidades pelas condições desumanas nas plantações a vários supermercados alemães, entre os quais o Lidl, por forçarem a descida de preços pagos aos produtores e fornecedores.

“Enquanto as cadeias de supermercados verificam meticulosamente o aspeto e aparência da fruta importada, recusando o fornecimento de grandes quantidades ao mais pequeno defeito, encaram os critérios sociais e ecológicos de forma menos séria”, critica a Oxfam, num resumo do relatório divulgado pelo IMVF.

A Oxfam aponta ainda “diversas violações aos direitos humanos e direitos laborais na indústria do ananás na Costa Rica e na indústria da banana no Equador”, além do uso intensivo de pesticidas que prejudicam os trabalhadores das plantações e das pessoas que habitam nas proximidades. Contactado pela Lusa, o Lidl ainda não comentou a situação.

Entre as 20 plantações investigadas no Equador, a Oxfam destaca o caso da empresa Matías, fornecedora do Lidl, na qual 90% dos trabalhadores declararam não querer formar um sindicato por medo de represálias. Na Costa Rica, os trabalhadores filiados nos sindicatos são frequentemente afastados -- como na Agricola Agromonte, que produz para as cadeias alemãs Lidl, Edeka e Rewe. Também na Costa Rica, os trabalhadores da Finca Once, que fornece o Lidl e na Agricola Agromonte, que abastece o Aldi, Edeka e Rewu relataram condições laborais precárias.