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O Mundial de 1966 contado pelos Magriços e por quem gosta de futebol

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Quando já rufam os tambores para o Europeu de França, um livro recorda a epopeia do primeiro e do maior feito da seleção portuguesa de futebol, na Inglaterra, há meio século. Memórias de quem esteve no relvado e de quem viu os jogos pela TV

DR

"Mundial 66 olhares", assim se chama a obra dos historiadores César Rodrigues e Francisco Pinheiro, apresentada esta quarta-feira ao final da tarde no Museu Nacional do Desporto, aos Restauradores, em Lisboa.

O livro reúne 66 testemunhos sobre o Mundial de Futebol de 1966, a primeira prova de seleções em que Portugal participou e na qual teve um desempenho memorável. Mais do que o 3.º lugar (a melhor classificação do país num Mundial), o futebol dos Magriços (como ficaram conhecidos) perfumou os relvados ingleses e encantou o mundo.

Eusébio foi o melhor marcador da prova (e conquistou em Inglaterra uma dimensão planetária), com nove golos, quatro dos quais na partida com a Coreia do Norte. Portugal recuperou de uma desvantagem de 3-0 para ganhar por 5-3, fazendo do jogo um dos jogos lendários da história de todos os mundiais de futebol.

Muitos dos Magriços ainda estão vivos e aceitaram o desafio dos autores do livro para voltar a 1966, contando a sua história na primeira pessoa. É o caso, entre outros, de Alexandre Baptista (defesa do Sporting), António Simões (atacante do Benfica, e hoje ainda uma figura conhecida, como comentador de futebol, na SIC), Fernando Cruz (defesa do Benfica), Hilário (defesa do Sporting), José Augusto (atacante do Benfica), José Carlos (defesa do Sporting) e Fernando Peres (médio do Sporting).

Mas César Rodrigues, que prepara um doutoramento sobre Portugal e o Mundial de Futebol de 1996, e Francisco Pinheiro, doutorado em História e um dos fundadores do Grupo História e Desporto da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desafiaram outros portugueses a desfiar as suas memórias do Mundial de 1966.

Nos testemunhos há os de muita gente do futebol, naturalmente. Como António Oliveira (ex-futebolista e antigo selecionador nacional), Fernando Santos (o atual técnico da seleção), Humberto Coelho (antigo futebolista, ex-selecionador nacional e atual vice-presidente da Federação), Luiz Felipe Scolari (o brasileiro que quase levou Portugal ao título europeu em 2004), Paulo Bento (ex-futebolista e antigo técnico do Sporting e da seleção, e hoje a treinar no Brasil), Manuel Cajuda (treinador) e Toni (antigo futebolista e ex-técnico campeão pelo Benfica, além de ter também passado pelo banco da seleção).

Outros olhares são de pessoas profissionalmente fora de futebol, mas que o olham de modo crítico e/ou vivem com amor à camisola, como o cineasta António Pedro Vasconcelos, os sociólogos António Barreto e Manuel Carvalho da Silva, o gestor Bagão Félix, o psiquiatra Júlio Machado Vaz, o padre Vítor Melícias, o ex-Presidente da República Jorge Sampaio e o maestro António Vitorino d'Almeida. Jorge Silvério, professor universitário e psicólogo do Desporto, e Guilherme d'Oliveira Martins, ex-presidente do Tribunal de Contas e atual administrador da Fundação Gulbenkian, também dão os seus testemunhos.

Finalmente, um contingente de jornalistas, a maior parte deles com ligações ao desporto e ao futebol: Bruno Prata, Carlos Daniel, Fernando Correia, Gabriel Alves, Joaquim Letria, Luís Freitas Lobo, José Pedro Castanheira, Manuel Queirós, Ribeiro Cristóvão, Rui Santos, Rui Hortelão e Vítor Serpa.

Flora da Silva Ferreira, a viúva de Eusébio, também conta as suas memórias do Mundial e a sua presença foi anunciada para a sessão de lançamento do "Mundial 66 olhares". Segundo os autores, a obra "ocupa-se principalmente de pessoas e de como viveram esse acontecimento histórico". César Rodrigues e Francisco Pinheiro quiseram fixar "para a história 66 olhares sobre a epopeia dos Magriços e sobre a memória política, social e cultural de Portugal na década de 60 do século XX".