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Missão espacial Euclid reune 400 cientistas em Lisboa

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Antevisão artística do satélite espacial Euclid, que vai ser lançado em 2020 e conta com forte participação portuguesa

ESA/C. Carreau

Detetar dois mil milhões de galáxias para mapear a distribuição da matéria escura no Universo, é o objetivo do satélite europeu Euclid

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Alguns dos maiores nomes mundiais da astrofísica e da cosmologia reúnem-se no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa a partir de amanhã, terça-feira, para fazer o ponto de situação da missão espacial Euclid. A missão irá lançar em 2020 um satélite do mesmo nome para detetar cerca de dois mil milhões de galáxias, que servirão para mapear a distribuição da matéria escura no Universo.

O satélite Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), “irá realizar um levantamento de 40% do céu com detalhe sem precedentes”, salienta um comunicado do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), que coordena a participação de Portugal no consórcio internacional da missão, onde estão envolvidos 14 países.

O encontro do CCB, onde participam 400 cientistas e engenheiros das áreas da física, astrofísica e ciências do espaço, dirigentes de agências espaciais e representantes da indústria, irá decorrer até 3 de junho. O Euclid é considerado uma das maiores colaborações internacionais em astronomia.

“Grande visibilidade à participação portuguesa”

Para Ismael Tereno, investigador do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e um dos dois coordenadores nacionais do projeto, “a organização do encontro anual dá uma grande visibilidade à participação portuguesa, reforçando o papel que vem conquistando com o seu trabalho de desenvolvimento do Rastreio de Referência da missão Euclid”.

Com efeito, a equipa do IA elaborou uma das componentes centrais do projeto, que envolveu “o desenvolvimento de algoritmos para desenvolvimento e análise de cenários de mapeamento do céu”, refere João Dinis, um dos seus membros. Carla Sofia Carvalho, também membro da equipa, acrescenta que “o programa completo das operações de mapeamento do céu gerado por nós tornou-se no Rastreio de Referência da missão Euclid”.

António da Silva, o outro co-coordenador nacional do Euclid, sublinha que “a realização do principal evento anual do consórcio em Portugal demonstra também o elevado nível de internacionalização dos investigadores nos vários institutos nacionais que participam neste projeto”.

Imagem do Rastreio Referência desenvolvido pela equipa portuguesa, indicando quais as áreas do céu (40% do total) que serão observadas pelo Euclid. Diferentes cores indicam observações em diferentes anos do rastreio

Imagem do Rastreio Referência desenvolvido pela equipa portuguesa, indicando quais as áreas do céu (40% do total) que serão observadas pelo Euclid. Diferentes cores indicam observações em diferentes anos do rastreio

ESSWG/IA

Os mistérios da energia e matéria escuras

A missão Euclid pretende compreender por que razão o Universo se está a expandir de forma acelerada e qual a natureza da energia escura responsável por esta aceleração. Para tal, irá estudar a geometria do Universo e como a sua estrutura evoluiu nos últimos dez mil milhões de anos, fazendo o mapeamento da distribuição das galáxias e da matéria escura. Os resultados irão ajudar os investigadores a compreender a natureza da gravidade e da energia e da matéria escuras, e os seus papéis no passado, presente e evolução futura do Universo.

A energia escura é uma misteriosa força que se opõe à atração gravitacional, e que provoca a expansão acelerada do Universo, correspondendo a 73% de tudo o que o compõe.

A matéria escura é um tipo de matéria que não emite nem absorve radiação em qualquer parte do espetro eletromagnético. Apesar de não poder ser detetada diretamente por telescópios, a sua gravidade provoca efeitos detetáveis na matéria visível, e deverá constituir cerca de 23% de tudo o que compõe o Universo, enquanto a matéria “normal” corresponde apenas a 4%.