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Vieira da Silva: Apoio do BE e PCP “ultrapassa as minhas expectativas”

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RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Aumento da TSU “vai avançar”, mas o mais provável é que só seja aplicada em 2018, revelou o ministro do Trabalho, em entrevista ao “Negócios”

Há muitos bons fatores “que apontam para que seja possível concluir a legislatura com esta experiência governativa”, assume José Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, numa longa entrevista ao “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

O apoio do Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, conseguido por António Costa, foi uma “surpresa” ao início, admitiu Vieira da Silva. Mas, até agora, os partidos da esquerda “ultrapassaram as minhas espectativas”, diz.

“Para todos nós foi uma surpresa a capacidade de criar este quadro parlamentar, um Governo com um apoio bem diferente na sua natureza dos governos anteriores. Há diferenças, elas não foram anuladas, mas as convergências e aquilo que nos une foi claramente mais forte do que essas divergências”, afirmou.

Mesmo assim, o acordo das esquerdas pode não chegar às eleições autárquicas. O ministro do Trabalho assumiu que o PS não irá alterar a sua estratégia. “Os grandes partidos têm influência num número enorme de autarquias e, portanto, não vão refazer a sua estratégia só porque há um novo quadro político”, justificou.

Outro dos temas discutidos com o “Negócios” foi a recuperação de dias de férias. Estes “não devem ser tratados por lei”, defendeu Vieira da Silva. Essa discussão, diz, deve ser feita em negociação coletiva com a concertação social. O Governo não irá impor a reposição de três dias de férias, que até 2012 eram garantidos aos trabalhadores assíduos, mas que foram retirados pelo anterior executivo.

Relativamente às possíveis sanções da Comissão Europeia a Portugal, o ministro do Trabalho disse estar convencido que estar não vão ser aplicadas. A existirem, “seriam completamente irracionais”, sublinhou.

“Irracionais porque, em primeiro lugar, correspondem a um ciclo político-económico que não é aquele que vivemos hoje. Depois porque, obviamente, é reconhecido o esforço que os portugueses fizeram ao longo do processo de ajustamento. Além disso, grande parte deste período foi fortemente influenciado pelas políticas ditadas pela troika, pelo que há uma coresponsabilização das autoridades europeias e do FMI na forma como elas foram executadas ao longo desses anos. E depois porque a própria União Europeia já veio reconhecer que este ano Portugal ficará abaixo do défice que determina o procedimento por défices excessivos.”

Ainda na mesma entrevista, Vieira da Silva revelou que a discussão sobre o aumento da TSU para contratos a prazo “vai avançar”, mas o mais provável é que só seja aplicada em 2018.