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Marques Mendes: “Não há nenhuma razão para Schäuble pedir sanções para Portugal”

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Marques Mendes é comentador de política da SIC

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Na quarta-feira passada, o ministro das Finanças alemão manifestou-se contra o adiamento de sanções a Espanha e Portugal, considerando que aliviar as regras não ajuda a aumentar a confiança

Helena Bento

Jornalista

Luís Marques Mendes concorda com o primeiro-ministro António Costa - o que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, está a fazer “parece perseguição política”, já que ele “não tem nenhuma razão para pedir sanções políticas para Portugal”. “Depois de todo este esforço, Portugal ainda vai ser penalizado?”, questiona o comentador.

Na quarta-feira passada, Wolfgang Schäuble manifestou-se contra o adiamento de sanções a Espanha e Portugal, considerando que aliviar as regras não ajuda a aumentar a confiança. “Dá a impressão que não se quer tomar uma decisão - provavelmente porque há eleições à porta. Não é um contributo para reforçar as regras europeias”, disse o ministro alemão, citado pelo “Wall Street Journal”.

PSD e CDS não se pronunciaram sobre o assunto. “Acho que os dois partidos estiveram muito mal. Não deviam ter ficado calados, não deviam ter sido subservientes. Deviam ter criticado, até porque, a haver sanções, elas serão da responsabilidade do anterior Governo”, observa o comentador.

Autárquicas

Marques Mendes não tem dúvidas de que o PS parte na frente para as próximas eleições autárquicas. “[Nas próximas eleições], ou António Costa sai reforçado e Passos entra em crise, ou António Costa entra em crise de liderança do Governo e Pedro Passos Coelho sai reforçado”, diz o comentador, para quem é muito claro que “as coisas estão favoráveis ao PS”, não apostando, por isso, “em grandes mudanças”.

Colégios privados e escolas públicas - o que pensa Marques Mendes?

Defendendo, antes de mais, que “escola pública e colégios privados são duas realidades necessárias, não antagónicas”, Marques Mendes considera que o Governo devia ter avisado os colégios a respeito dos cortes com algum tempo de antecedência, dando-lhes pelo menos “dois ou três anos” para se prepararem. “Cortar de repente e sem aviso prévio é uma violência”, diz.

O comentador lamenta que o tema, de si tão polémico, esteja a contibuir “para uma cada vez maior divisão na sociedade portuguesa”. “Isto vai deixar feridas”, antecipa.

Analisando os últimos desenvolvimentos da relação entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, recentemente afetada por alegadas divergências relativamente às previsões económicas do Governo, Luís Marques Mendes diz que “houve algum distanciamento”, tendo-se entrado “numa espécie de coabitação distanciada entre Governo e Presidente”. Recusa, no entanto, ser pessimista na avaliação ou avançar com previsões catastrofistas. “Não quer dizer que tenha havido uma ruptura. Quer dizer apenas que Costa pensa de uma maneira e Marcelo de outra”.

Questionado a respeito da entrevista que Francisco Assis deu muito recentemente ao Expresso, Marques Mendes começou por elogiar a “coerência” e “coragem” do socialista, “que em três tiradas conseguiu ser mais crítico do Governo do que o PSD e o CDS conseguiram em seis meses”. “A coragem que Franciso Assis está a mostrar não é normal na vida política. Quando o chefe está no Governo ninguém gosta de fazer grandes críticas, para evitar ter problemas”, disse, elogiando mais uma vez a postura do crítico socialista: “O que ele está a fazer é muito raro na política portuguesa”.