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Líder sindical dos estivadores defende nacionalização do sector

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STEVEN GOVERNO / Lusa

António Mariano sustenta que a nacionalização acabaria com “interesses económicos que já não são portugueses e que querem aumentar em dezenas e centenas de milhares os seus lucros, à conta do esmagamento das condições salariais dos trabalhadores”

A nacionalização do sector portuário pode ser uma solução para os conflitos laborais, defende o presidente do Sindicato dos Estivadores, adiantando que desde o início da greve não houve qualquer contacto com o Governo.

"Até ao momento não houve qualquer contacto com o Governo. Ouvimos a ministra (do Mar). Há ali alguma pressão perante as empresas relativamente ao poder retirar a concessão se não resolverem isto. Mas vamos aguardar os próximos dias a ver se há desenvolvimentos", acrescentou António Mariano.

O sindicalista sustenta que a nacionalização do sector acabaria com "interesses económicos que já não são portugueses e que querem aumentar em dezenas e centenas de milhares os seus lucros, à conta do esmagamento das condições salariais dos trabalhadores".

"É um sector que dá bastante lucro, que fatura milhões e com pagamentos garantidos, e se fosse público haveria mais receitas para o Estado e para a cidade (Lisboa) e deixávamos de ter aqui o Estado de Singapura ou as empresas da Turquia a tirarem dividendos anualmente", referiu o presidente do sindicato, antes de entrar num plenário de estivadores na zona marítima de Alcântara.

"No plenário vamos informar. Os trabalhadores também estão confusos com toda esta sequência de acontecimentos. Há uma série de envenenamentos e de intoxicação na opinião pública face à informação que está a circular e que não corresponde à verdade. Por isso, vamos esclarecer no sítio certo, que é no plenário de trabalhadores", disse o presidente do sindicato.

Desde as primeiras horas da manhã, um piquete de greve encontra-se junto aos portões do terminal da Sotagus, em Xabregas, na zona oriental de Lisboa.

Vários elementos da polícia encontram-se junto à entrada do cais mas, até ao momento, não se registaram incidentes.

Na terça-feira, cerca de 40 estivadores estiveram concentrados durante perto de nove horas na entrada do Porto de Lisboa, em Alcântara, entre as 9h e as 18h, depois de a PSP ter enviado uma equipa de várias dezenas de elementos para o local, para acompanhar a saída de contentores retidos há cerca de um mês naquele local, quando os estivadores começaram a greve.

Nestas nove horas de protesto, os estivadores manifestaram-se repetidamente quando os camiões entravam no Porto de Lisboa e quando saiam carregados com contentores, insultando os condutores, assobiando e batendo palmas.

"Não sei se isto se vai repetir. Isto que aconteceu aqui hoje [terça-feira] foi uma encenação. Chamaram polícias e, com os 'fura greves', conseguiram fazer sair duas dúzias de contentores. Isto é para passar uma imagem para o exterior de que somos os maus da fita", disse António Mariano à agência Lusa.

Os operadores do Porto de Lisboa anunciaram segunda-feira que vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, uma proposta de acordo de paz social que foi recusada. As versões do sindicato, dos operadores e Governo não coincidem, sobretudo na questão da Porlis (empresa de trabalho portuário cuja extinção era uma das reivindicações dos sindicatos).

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, diz que os operadores propuseram suspender os trabalhos da Porlis, mas o documento previa apenas que os operadores se comprometessem a "encontrar uma solução relativamente" ao futuro da empresa de trabalho portuário.

Na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano classificou de "terrorismo psicológico" e "atentado ao Estado de direito" o anúncio de um despedimento coletivo e a presença da PSP no Porto de Lisboa, para acompanhar retirada de contentores retidos.

Contudo, António Mariano disse que os trabalhadores estão dispostos a chegar a um entendimento, caso a empresa criada paralelamente for encerrada e se forem resolvidas duas situações do contrato coletivo de trabalho.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

A paralisação tem sido prolongada através de sucessivos pré-avisos devido à falta de entendimento entre estivadores e operadores portuários sobre o novo contrato coletivo de trabalho. De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.