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Estivadores em greve mantêm piquete frente a cordão polícial em Xabregas

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STEVEN GOVERNO / Lusa

No terminal da Soflusa, em Xabregas, Lisboa, estão presentes elementos da Polícia Marítima e um grupo do Corpo de Intervenção da PSP, que se encontram posicionados junto aos portões

Um piquete de greve constituido por várias dezenas de estivadores está desde manhã na entrada do terminal da Sotagus em Xabregas, Lisboa, que se encontra guardado por elementos da PSP.

As dezenas de estivadores em greve mostram-se revoltados com "a eventual" presença de trabalhadores da "'pool' alternativa" em laboração junto aos contentores, tentando evitar a retirada de contentores.

"Nós não conseguimos identificar os trabalhadores porque a polícia não nos permite proceder à identificação", disse à Lusa Sérgio Sousa, do Sindicato dos Estivadores, presente no local.

No terminal da Soflusa, em Xabregas, Lisboa, estão presentes elementos da Polícia Marítima e um grupo do Corpo de Intervenção da PSP, que se encontram posicionados junto aos portões, não se tendo registado até às 9h30 qualquer incidente.

António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, que se encontra também em Xabregas, disse à Lusa que vai realizar-se um plenário de trabalhadores, "ainda durante a manhã", na Gare Marítima de Alcântara.

Esta terça-feira, cerca de 40 estivadores estiveram concentrados durante perto de nove horas na entrada do Porto de Lisboa, em Alcântara, entre as 9h e as 18h, depois de a PSP ter enviado uma equipa de várias dezenas de elementos para o local para acompanhar a saída de contentores retidos há cerca de um mês, quando os estivadores começaram a greve.

Nessas nove horas de protesto, os estivadores manifestaram-se repetidamente quando os camiões entravam no Porto de Lisboa e quando saiam carregados com contentores, insultando os condutores, assobiando e batendo palmas.

"Não sei se isto se vai repetir. Isto que aconteceu aqui hoje [terça-feira] foi uma encenação. Chamaram polícias e, com os 'fura-greves', conseguiram fazer sair duas dúzias de contentores. Isto é para passar uma imagem para o exterior de que somos os maus da fita", disse António Mariano à agência Lusa.

Os operadores do Porto de Lisboa anunciaram segunda-feira que vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, uma proposta de acordo de paz social que foi recusada. As versões do sindicato, dos operadores e Governo não coincidem, sobretudo na questão da Porlis (empresa de trabalho portuário cuja extinção era uma das reivindicações dos sindicatos).

A ministra do Mar Ana Paula Vitorino diz que os operadores propuseram suspender os trabalhos da Porlis, mas o documento previa apenas que os operadores se comprometessem a "encontrar uma solução relativamente" ao futuro da empresa de trabalho portuário.

Na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano classificou de "terrorismo psicológico" e "atentado ao Estado de direito" o anúncio de um despedimento coletivo e a presença da PSP no Porto de Lisboa, para acompanhar retirada de contentores retidos.

Contudo, António Mariano disse que os trabalhadores estão dispostos a chegar a um entendimento, caso a empresa criada paralelamente for encerrada e se forem resolvidas duas situações do contrato coletivo de trabalho.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

A paralisação tem sido prolongada através de sucessivos pré-avisos devido à falta de entendimento entre estivadores e operadores portuários sobre o novo contrato coletivo de trabalho. De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.