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PSP no porto de Lisboa para controlar retirada de contentores

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Luís Barra

A empresa de trabalho portuário Porlis, que o sindicato acusa de empregar estivadores em situação precária, tenta movimentar as centenas de contentores que se encontram bloqueados desde 20 de abril, muitos deles com produtos que não sendo bens alimentares deterioráveis têm prazo curto de validade

Cerca de quatro dezenas de estivadores estão concentrados esta manhã junto à entrada do Porto de Lisboa, em Alcântara, ladeados por dezenas de polícias, constatou a agência Lusa no local.

No Porto de Lisboa entraram até às 9h três camiões para recolher contentores, mas o primeiro saiu vazio, perante o aplauso dos estivadores, enquanto um segundo, pelas 9h15, saiu carregado, tendo o motorista sido insultado pelos estivadores em greve.

Este foi, esta manhã, um dos momentos de tensão dos estivadores, que se encontram há mais de um mês em greve.

De acordo com António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, "o porto de Lisboa não tem serviços mínimos, o que constitui uma violação do direito à greve".

António Mariano denunciou a existência de "fura-greves no interior do Porto de Lisboa", os quais foram acompanhados pelas forças de intervenção da PSP.

O Porto de Lisboa está parado há 35 dias e, segundo António Mariano, "os estivadores vão continuar no local a sensibilizar para o que está a acontecer".

"A saída de carros com mercadoria não está a ser efetuada de forma legal", queixou-se o sindicalista.

Esta segunda-feira, os operadores do Porto de Lisboa anunciaram que vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira passada, uma nova proposta para um novo contrato coletivo de trabalho.

"Chegámos ao limite. Há mais de um mês que o Porto de Lisboa está completamente parado. Vamos avançar para um despedimento coletivo, porque temos que redimensionar por não termos trabalho", afirmou Morais Rocha, presidente da Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL).

Em declarações à Lusa, Morais Rocha explicou que os operadores do Porto de Lisboa avançaram segunda-feira com os trâmites para um despedimento coletivo, que é fácil de fundamentar, tendo em conta que "o Porto de Lisboa está completamente parado".

Segundo a edição de hoje do "Jornal de Negócios, há contentores parados no Porto de Lisboa, com produtos que, não sendo bens alimentares deterioráveis, têm prazo curto de validade.

Esta terça-feira, a empresa de trabalho portuário Porlis, que o sindicato acusa de empregar estivadores em situação precária vai tentar movimentar as centenas de contentores que se encontram bloqueados desde 20 de abril, altura em que começou a greve dos estivadores, segundo o "Negócios".

O Governo fixou serviços mínimos para assegurar a movimentação de cargas destinadas aos Açores e Madeira e operações de carga ou descarga de mercadorias deterioráveis e de matérias-primas para alimentação.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril, com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, recusando trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.