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Google Maps ajuda Ministério a definir escolas que mantêm contratos de associação

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Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação

TIAGO PETINGA / Lusa

Distância entre colégios com contrato de associação e escolas públicas foi um dos critérios utilizados para determinar cortes. O Google Maps serviu para fazer as contas ao tempo necessário, a pé e de carro

O Ministério da Educação recorreu ao Google Maps para calcular quanto tempo demoraria um aluno a fazer o percurso, a pé e de carro, entre cada um dos 79 colégios com contrato de associação e as escolas públicas que se localizam num raio de 10 quilómetros.

Os dados constam do estudo divulgado esta terça-feira ao final do dia que esteve na base dos anunciados cortes no financiamento a colégios com contratos de associação. Pode vê-lo AQUI na íntegra.

O Ministério explica que a informação foi complementada com idas ao terreno e reuniões com os diretores dos agrupamentos, designadamente para avaliar a rede de transportes.

Dificilmente poderia ser de outra forma, já que, de acordo com os cálculos apresentados, a transferência de alunos dos colégios para a rede pública implicaria, em dezenas de casos, que as crianças e jovens andassem mais de duas horas a pé ou que os seus pais tivessem de ter um carro.

Apenas um exemplo. O Instituto São Tiago, em Proença-a-Nova, um dos 39 que não vão ter direito a qualquer financiamento no próximo ano letivo para turmas de início de ciclo, fica no limite da distância admitida pelo Ministério como alternativa: a pública mais próxima fica a 9,8 quilómetros. O Ministério pesquisou no Google Maps e concluiu que um aluno demoraria mais de duas horas a pé (129 minutos), e de mochila às costas, até à escola básica e secundária da sede do concelho. Se fosse de carro, a viagem ficaria em 15 minutos. Isto assumindo que os pais têm carro.

No entanto, quando o Expresso testou na mesma plataforma a distância entre os dois locais, o resultado foi diferente. Em vez dos 129 minutos, o aluno demoraria 160 minutos a fazer o caminho a pé. Mas o Google Maps também é conhecido por fazer alguns acertos constantes aos cálculos das distâncias.

Estes dados são apresentados para todos os colégios. Que não terão sido, seguramente, os mais decisivos. O Ministério refere, por exemplo, as conversas tidas no local com mais de 100 diretores de escolas públicas, em que se avaliou igualmente a capacidade de acolhimento e a existência de transportes públicos.Mas esses dados não constam do estudo que pode ser consultado na página da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

Se há escolas a vários quilómetros, também se identificam vários casos em que os colégios coexistem, quase lado a lado, a menos de um quilómetro, com escolas públicas vazias ou a funcionar em meio gás.

Outro exemplo. O Externato D. Fuas Roupinho, concelho da Nazaré, fica a 100 metros da Escola Básica Amadeu Gaudêncio - dois minutos a pé e zero de carro, lê-se no estudo -, cujo nível de ocupação é baixo (nível 3 numa escala de 1 a 5 em que 1 é o mínimo). Vai, por isso, perder as turmas de início do 2º e 3º ciclos do básico para as quais recebia apoio.