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Aceite providência cautelar para travar demolição para mesquita

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Proprietário de três prédios na Mouraria que a Câmara de Lisboa quer demolir revelou ao Expresso que teve “boa notícia”

José Pedro Mozos

O Tribunal de Lisboa aceitou esta terça-feira uma providência cautelar apresentada pelo dono de três prédios em Lisboa que a Câmara de Lisboa quer expropriar e demolir para construir uma mesquita, na Mouraria.

Segundo o proprietário, António Barroso, trata-se do "início de uma boa notícia". Barroso tinha recebido segunda-feira uma notificação da Câmara a anunciar que foi declarada a expropriação "com caráter urgente" e consequente "posse administrativa" dos três prédios que detém.

"Isto é um negócio de cúpulas. Os que decidem falam em interesse público, mas quando falo com a comunidade do Bangladesh [a quem se destina a nova mesquita] ninguém sente necessidade de ter uma nova mesquita", afirma ao Expresso. Neste momento, existem duas mesquitas na Mouraria e a construção desta terceira não é vista por todos como uma necessidade, alega. António Barroso diz mesmo que "esta situação não resolve nenhum problema mas cria muitos".

Este alentejano que foi para Lisboa aos 15 anos comprou os três prédios em 2006 por quase 400 mil euros, quando estavam em ruínas. Desde então, investiu dinheiro na reconstrução dos edifícios. Hoje valem mais do que na altura em que foram adquiridos. No entanto, a indemnização que a Câmara propõe não chega aos 600 mil euros. António Barroso pede cerca de 2 milhões de euros. "Não apenas pela valorização que sofreram ao longo dos anos mas também porque a zona da Mouraria está na moda." Mas a negociação parece difícil. É que a Câmara exige que essa avaliação seja justificada por uma análise feita por peritos. António Barroso diz que não avança para essa solução porque o processo nem sequer está na fase em que esse procedimento pode decorrer. Ou seja, o proprietário tem esperança de que o assunto se resolva antes de ser necessário recorrer a peritos.

E afirma: "A minha capacidade de pensamento não consegue alcançar tamanha falta de dignidade".

Contactada pelo Expresso, a Câmara de Lisboa diz que ainda não foi notificada da decisão do tribunal.