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Como abelhas no mel

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Onde antes existia uma aldeia abandonada, no meio do nada, em Figueira de Castelo Rodrigo, agora existe um hotel com traça de arquiteto, que alia ao sossego um vasto património histórico a visitar. No Colmeal Countryside Hotel, há 700 hectares de silêncio para desfrutar

Chega-se depois de uma viagem longa, por curvas sinuosas, que de dia revelam uma paisagem serrana intocada. Os penedos grandes são os únicos a interromper a imensa mancha verde. Aninhada num vale, a aldeia do Colmeal é hoje, de novo, mais do que ruínas. Ganhou habitantes, depois de décadas de abandono. Agora, o que lá está é um hotel de traça moderna, construído com os materiais da região (xisto e cortiça) nas antigas ruínas do século XII. No interior, domina o design nórdico, em pinho claro, confortável e moderno, a luz natural, que entra pelas janelas rasgadas, as mantas de burel em cima das camas.

Os quartos do Colmeal Countryside Hotel são dominados pelo pinho claro e as mantas de burel, típicas desta região serrana

Os quartos do Colmeal Countryside Hotel são dominados pelo pinho claro e as mantas de burel, típicas desta região serrana

Acolhedor e confortável, o Colmeal Countryside Hotel, inaugurado em fevereiro deste ano, conta com 13 quartos no edifício principal, ao longo de um corredor cheio de "buracos" redondos, inspirado nas colmeias das abelhas - que deram nome ao sítio, Colmeal. Algumas das casas contíguas ao hotel foram também recuperadas e permitem alojar várias famílias ou grupos de amigos, garantindo maior privacidade.

O que há para fazer neste belo "fim de mundo"? Tudo – ou nada, conforme a sua disposição. Os que quiserem descansar podem passear pelos vastos 700 hectares da propriedade, por caminhos de cabras ou de terra batida; ler na varanda, ao som dos pássaros que dão concertos noite e dia; preguiçar na piscina exterior; ou renderem-se aos prazeres das massagens no spa, ou da sauna. Os mais ativos têm outras possibilidades: um campo de futebol exterior assegura o entretém dos rapazes, um parque infantil com baloiços e escorrega garante algum tempo de distração para os mais novos (que contam ainda com uma sala de brinquedos e televisão para eles, junto à sala de jantar).

Ficar a ler na varanda do quarto, de frente para a vegetação, ou preguiçar junto à piscina são boas opções de descanso

Ficar a ler na varanda do quarto, de frente para a vegetação, ou preguiçar junto à piscina são boas opções de descanso

Quem não quiser arredar pé durante o fim de semana, tem no restaurante do hotel uma excelente opção. A carta, que contou com a assessoria do chef Vítor Claro, privilegia os produtos regionais como o borrego ou a truta, mas revestindo-os de uma abordagem moderna. O vinho - branco ou tinto - é produzido ali na Quinta, e vale a pena prová-lo. O branco (das castas Syrah e Malvasia fina, 2012) é frutado e fresco, o tinto (Touriga Nacional) é mineral e elegante. Além do vinho, também terá à mesa o azeite do Colmeal ("Essência"), assim como o mel das 60 colmeias que ali permanecem. Em 700 hectares, há espaço para quase tudo.

O vinho do Colmeal é apenas um dos produtos que se faz na extensa propriedade. Outros são azeite e mel

O vinho do Colmeal é apenas um dos produtos que se faz na extensa propriedade. Outros são azeite e mel

História a rodos

Isto é de tal modo verdade que é fortemente possível que em qualquer passeio que dê pelo Colmeal tropece em História. Logo na pedra que encima uma das portas do hotel, estão "dois chibos" de cor avermelhada, virados na mesma direção, um vestígio do século XVI. Este era o brasão dos Cabrais – que atesta que esta terra foi herdada por Pedro Álvares Cabral por via materna (facto invulgar na época).

Esta pedra com dois “chibos” (duas cabras) viradas no mesmo sentido indica que Pedro Álvares Cabral herdou esta propriedade por via materna

Esta pedra com dois “chibos” (duas cabras) viradas no mesmo sentido indica que Pedro Álvares Cabral herdou esta propriedade por via materna

Foi a mãe de Pedro Álvares Cabral, D. Isabel de Gouveia, quem nasceu na aldeia do Colmeal. E a 100 metros do edifício prinicipal do hotel, o pórtico de uma igreja do século XII ostenta outro brasão, de cerca de 1500, que se pensa ser do bisavô de Cabral.

A 50 metros do hotel, este pórtico de igreja data do século XII e alberga um brasão dos Cabrais que se pensa ter sido do bisavô do navegador português. Até ao final do século XIX, celebraram-se ali casamentos e batizados

A 50 metros do hotel, este pórtico de igreja data do século XII e alberga um brasão dos Cabrais que se pensa ter sido do bisavô do navegador português. Até ao final do século XIX, celebraram-se ali casamentos e batizados

Se for mesmo um apaixonado por História, há ainda gravuras rupestres do Neolítico - uma dança fálica entre homens e mulheres - a uns 200 metros do hotel. Para os restantes, os passeios poderão levá-lo a múltiplos caminhos, pois neste Colmeal não falta espaço, verde ou silêncio para o acompanhar.