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Juan Ignacio Diretor-geral, da Cabify: “Não temos medo do conflito com os taxistas”

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Luís Barra

Semelhante à Uber, a Cabify, outro serviço alternativo de transporte de passageiros, chegou na semana passada a Lisboa, com 50 carros de gama alta, onde se oferece água ao cliente e o preço não depende do tempo da viagem. O balanço dos primeiros dias não podia ser melhor, assegura Juan Ignacio, diretor-geral da Cabify. para a Europa

Com 34 anos, o empresário espanhol Juan Ignacio é um dos responsáveis máximos da Cabify, que conta com seis mil carros e um milhão de clientes em cinco países (Espanha, México, Peru e Colômbia), prevendo faturar €100 milhões este ano.

Portugal foi o primeiro país de língua não castelhana a receber o serviço, que no próximo mês vai também expandir-se para o Brasil, Equador e Panamá.

A Cabify funciona através de uma aplicação para smartphones, que permite chamar um carro ou reservá-lo com antecedência.

A empresa garante que não quer entrar em guerra e diz que até se vai poder chamar táxis através desta aplicação.

A Cabify chega a Portugal em plena guerra entre os taxistas e a Uber. Não têm medo de se envolver neste conflito?
O momento em que chegamos coincide, de facto, com um ambiente de grande tensão no sector. Mas queremos ser uma terceira alternativa e não faz parte do nosso estilo metermo-nos no meio dessa guerra. Em todos os países onde estamos cumprimos a lei. Por isso, não temos medo do conflito.

A verdade é que já houve cerca de 70 casos de agressões de taxistas a motoristas da Uber. Receia que os vossos condutores também venham a ser vítimas de agressões?
Creio que se cumprirmos a lei não temos razões para ter medo. Os condutores estão satisfeitos, estão a trabalhar com um sistema que funciona bem, que lhes dá rendimento e cumprem as normas.

Nunca tiveram problemas nos outros países onde estão?
Em Espanha e no Peru tivemos algumas reações adversas por parte de taxistas, mas isso não nos impediu de continuar a trabalhar. Por exemplo, em Madrid, é possível solicitar os serviços de um táxi através da nossa aplicação, o que significa que há taxistas que veem vantagens em aderir à nossa plataforma. No geral, o mercado aceita-nos.

Diz que cumpre a lei, mas a Autoridade dos Transportes já disse que a Uber é ilegal. O que é diferente no vosso caso?
A lei portuguesa diz que esta é uma atividade de aluguer de veículos com condutor, que pode ser prestada pelas empresas de rent-a-car e por outro tipo de empresas, em algumas situações. Outras plataformas esticaram um pouco a interpretação da lei, mas nós vamos restringir-nos à lei. Somos um intermediário, ou seja, uma plataforma que permite alugar veículos com condutor. É esse o nosso papel, enquanto esperamos por uma regulação mais pormenorizada, que parece que vai acontecer em breve.

O que vos diferencia da Uber?
Criámos uma empresa aqui em Portugal, que paga os seus impostos aqui e todo o serviço de intermediário é prestado a partir daqui. Além disso, há outras diferenças. Focamo-nos muito nas empresas como clientes e permitimos a possibilidade de reservar um carro com antecedência. Prestamos um serviço de muita qualidade, já que a maioria dos nossos carros são de gama alta, e apostamos muito na mobilidade sustentável. Em Madrid, por exemplo, a maioria dos nossos carros são híbridos ou elétricos e, pouco a pouco, também vai ser essa a nossa aposta aqui.

Prestam um serviço equivalente aos táxis, mas não pagam as mesmas licenças e impostos. A concorrência é justa?
Creio que é um serviço bastante diferente dos táxis. Os táxis existirão sempre. Toda a gente pode ir à rua e mandar parar um táxi. Isto é outra coisa. É um serviço que solicitas através de uma aplicação e podes escolher um carro e um condutor com características específicas. O preço também é diferente porque no nosso caso é calculado com base na origem e no destino. O preço é fixado previamente e não se altera, mesmo que a viagem demore mais por causa do trânsito.

Em comparação com a Uber e com os táxis, em média como são os vossos preços?
Em média, são 10% mais baratos do que os táxis e estão em linha com os da Uber.

Começaram há cerca de uma semana em Lisboa. Que balanço fazem dos primeiros dias?
A recetividade foi muito boa. Temos 50 carros e mais de 100 motoristas, mas já decidimos aumentar porque a procura é muito alta. Não estávamos à espera.

Vão alargar o serviço a outras cidades portuguesas?
Espero que antes do fim do ano possamos chegar a mais cidades. Ao Porto, logicamente, e provavelmente mais.