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Mãe de criança desaparecida acusada de rapto e tráfico de pessoas

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Lídia Freitas esteve esta manhã no Tribunal da Ponta do Sol

Homem de Gouveia/Lusa

O Ministério Público já requereu julgamento para Lídia Freitas, a mãe do menino de 17 meses que esteve desaparecido na Madeira durante três dias em janeiro de 2014

Marta Caires

Jornalista

A decisão do Ministério Público de requerer o julgamento para Lídia Freitas, acusada do rapto e tentativa de tráfico do próprio filho em janeiro de 2014, foi anunciada esta quinta-feira no site da Procuradoria Geral Distrital de Lisboa. A nota refere que foi deduzida acusação contra a mãe de Daniel, na altura com 17 meses, por se terem “recolhido indícios, considerados suficientes” que a dão como responsável “pelo desaparecimento da criança com vista a vendê-la a terceiros”. O objetivo, segundo o Ministério Público, seria uma adoção ilícita.

Daniel, então com 17 meses, desapareceu sem deixar rasto a 19 de Janeiro de 2014 quando se encontrava com os pais numa festa em casa de familiares, na Calheta, na Madeira. O alerta às autoridades foi dado duas horas após o desaparecimento, mas bombeiros, polícias e os vizinhos que entretanto se juntaram às buscas não conseguiram encontrar a criança. O rasto, detetado pelos cães, terminava à porta de casa e durante os três dias seguintes não houve qualquer indício sobre o paradeiro do Daniel.

A criança seria encontrada viva na manhã do quarto dia perto de uma levada – canal de água para irrigação de terrenos agrícolas - a mais de um quilómetro da casa de onde desaparecera, sem sinais de maus tratos ou abusos. O desaparecimento e reaparecimento de Daniel continuava envolto em mistério, mas, por esta altura, tinha-se gerado já uma onda de solidariedade em torno da família de poucos recursos, que vivia numa casa degradada. Foi aberta uma conta solidária e a mãe, Lídia Freitas, esteve em programas de televisão, até o Marítimo se associou à causa e levou o Daniel e a família a ver um jogo nos Barreiros.

Seis meses depois, em junho de 2014, após denúncia do pai do Daniel, Lídia Freitas era detida pela Polícia Judiciária por suspeita de rapto e tráfico de pessoas. O desaparecimento do filho faria parte de um plano para vender depois a criança para adoção. O preço acertado rondaria os 125 mil euros. Na altura, foi avançado que os interessados seriam emigrantes, falou-se na Venezuela e na África do Sul, com intermediário no Reino Unido. A tese de que a encenação do desaparecimento fazia parte do negócio é agora assumida pelo Ministério Público, que já deduziu a acusação e requereu julgamento.

De referir que, além de Daniel, Lídia Freitas tem mais outros dois filhos. Uma filha mais velha e o mais novo, nascido em 2015, que foi entretanto retirado pela Segurança Social.