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Quina, a carteirista de 85 anos, jura que está inocente

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rui duarte silva

Ministério Público pediu prisão com pena suspensa para Joaquina Gonçalves, acusada de ter furtado um porta-moedas durante o cortejo da Queima das Fitas, no Porto

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Joaquina Gonçalves, 85 anos, negou esta manhã, no Tribunal Criminal de Pequena Instância do Porto, ter surripiado há duas semanas um porta-moedas, contendo 25 euros e um terço de Santa Rita, a Emília Teixeira Vaz, durante o cortejo académico na zona dos Clérigos. É a terceira vez que Quina é julgada por crime de furto simples, depois de já ter sido condenada a penas de prisão suspensas, de dois e três anos, nos tribunais de Tomar, em 2003, e Barcelos, em 2012, ambos já extintos.

Confrontada com o facto de ter sido apanhada com o porta-moedas da ofendida na mão, Quina, a carteirista de Ermesinde, como é conhecida pelas autoridades, confessou-se inocente, mantendo a versão, avançada ao Expresso no passado dia 6 de maio, de que “encontrou uma coisinha no chão”, até lhe deu um pontapé e depois pegou nela “pensando que era um telemóvel”.

A suposta carteirista mais idosa em atividade do país afirmou em tribunal que o dinheiro encontrado em sua posse foi-lhe dado pelo neto com quem vive, queixando-se à juiza de ter ficado sem nada, o que a obrigou a ir a pé da estação de Campanhã para Ermesinde, onde reside. Questionada por que razão não tentou indagar a quem pertencia o porta-moedas, Joaquina respondeu que estava muita gente no local e “ia a este e a esta e aquele outro de quem era”.

O cenário descrito pelos dois agentes da PSP chamados a depor durante o julgamento e corroborado por fotos captadas durante o desfile do cortejo académico é bem dfiferente. Raúl Freitas conta que ele e o colega reconheceram Joaquina, surpreendida há um ano na Queima das Fitas a furtar a carteira a uma idosa de 92 anos que não apresentou queixa, e começaram a vigiar-lhe os movimentos. “Depois de se ter aproximado de uns idosos a ver se lhes chegava aos bolsos, colocou-se ao lado da ofendida e, com a mão disfarçada por baixo de um casaco, abriu a carteira da senhora e tirou-lhe o porta-moedas”, referiu um dos agentes, que de imediato ligou ao agente Costa a dizer-lhe para seguir e deter a carteirista que se dirigia para a estação de comboios de São Bento.

“Esteve uns minutos parada ao lado da vítima, agiu calmamente e com astúcia, que já é perita nisso”, conclui o agente no seu testemunho, perante o olhar e uns comentários desaprovadores da juíza.

Emília Vaz, a ofendida, referiu durante o julgamento que não se apercebeu de nada. “Foi um agente à paisana que se identificou e me perguntou se não me faltava nada. Vi que tinha a carteira aberta e faltava o porta-moedas, o terço de Santa Rita e uns santinhos que trago comigo”, declarou Emília, que vinda de Gondomar assistia nesse dia, com a nora e um sobrinho pequeno, ao desfile da neta, estudante de Medicina.

Ao tribunal, assistida pelo representante legal oficioso Pedro Fonseca, Quina atirou no final que os agentes mentiram: “Que Deus me mate e apague a pilha que tenho no coração, se não digo a verdade”, lamentou-se a idosa, viúva, a viver com 300 euros de reforma, devota de Santa Rita como a ofendida.

Por ser reincidente e não ter revelado arrependimento, a idosa que confessou à juíza do processo não saber ler e escrever por ter sido obrigada a guardar ovelhas na serra em pequena, o Ministério Público pediu para a arguida a aplicação de uma pena prisão suspensa. A leitura da sentença está marcada para o próximo dia 25.

  • Quina, a má da fita

    Aos 85 anos, Joaquina Gonçalves voltou a ser apanhada a surripiar uma carteira durante o desfile do Cortejo Académico do Porto. “Quina, a carteirista”, como é conhecida pela polícia e pela vizinhança em Ermesinde, nega tudo, justificando a alcunha “sem proveito” à reputação do falecido marido, de quem se divorciou por ser “um ladrão” encartado