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Ministro da Educação nega acusações de burla relatadas em artigo da “Sábado”

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Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação

PEDRO NUNES / LUSA

Antigo professor do agora ministro acusa-o de pedir uma bolsa de estudos para pagar propinas que não existiam. Ministro recusa que tenha “cometido qualquer irregularidade” e vai apresentar queixa-crime contra a publicação

Tiago Brandão Rodrigues vai apresentar queixa-crime contra a revista “Sábado”. A decisão do ministro da Educação surge na sequência de um artigo que o acusa de burla com bolsas de estudo. Em comunicado emitido ao final da tarde desta quarta-feira, o ministro nega “qualquer irregularidade” e diz que estas “não se tratam de informações inocentes”.

“O ministro da Educação já iniciou todos os procedimentos inerentes à apresentação de uma queixa-crime contra quem profere e publica as falsidades prontamente desmentidas”, lê-se na nota.

Numa clara referência à polémica do Governo e aos contratos de associação com os colégios privados, o ministério da Educação diz que o surgimento da história neste momento não é por acaso. “O Ministro da Educação considera que não se trata de afirmações inocentes tendo em conta o calendário político e os temas que têm estado na agenda do Ministério.”

No mesmo documento, o Ministério refere que “repudia profundamente a publicação desta notícia e destas falsidade”, sublinhando que os esclarecimentos prestados por Tiago Brandão Rodrigues à “Sábado” não foram “tidos em conta”.

A notícia em causa é publicada parcialmente esta quarta-feira no site da “Sábado”, em antecipação ao trabalho completo que sairá na edição imprensa desta quinta-feira. A história parte de um depoimento de Rui Carvalho, professor na Universidade de Coimbra e antigo orientador de doutoramento de Tiago Brandão Rodrigues.

Segundo o professor, o agora ministro da Educação terá pedido uma bolsa de estudos para pagar as propinas na Universidade do Texas, onde realizou um estágio em setembro 2001. No entanto, a instituição de ensino norte-americana não cobrava propinas a alunos que se encontravam no regime em que esteve Brandão Rodrigues. Rui Carvalho diz só ter tido conhecimento da alegada situação quando contactou a Fundação para a Ciência e Tecnologia e que avisou o seu orientando que teria de devolver os 18 mil euros.

“Assim que dei o nome do candidato à senhora do departamento de bolsas, nem precisei de lhe dar a referência da bolsa. A senhora disse-me: ‘Ó senhor doutor, é uma grande coincidência estar a ligar-me porque nos últimos seis meses andámos a tentar contactar esse aluno para lhe pedir o recibo do pagamento de propinas em Dallas e não conseguimos’”, conta Rui Carvalho à “Sábado”.

Segundo a publicação, o agora ministro da Educação devolveu, por iniciativa própria, a totalidade do dinheiro, em setembro de 2002 (um ano após a realização do estágio no Texas). À revista, Brandão Rodrigues diz que se tratam de “acusações cegas e ofensivas”.