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Biblioteca do Amadora-Sintra não vai ser desmantelada

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Aspeto da biblioteca, mais precisamente a zona da revistas, apresentado no site do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca

DR

A ideia de aliviar a biblioteca do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca surgiu e desapareceu num ápice. O acervo, composto de revistas e livros sobre medicina, não irá ser “aliviado" das publicações em papel”. Uma onda de indignação que culminou num abaixo-assinado terá contribuido para pôr um ponto final no assunto. A administração diz que os subscritores indignados se precipitaram

A biblioteca do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca vai permanecer intacta e no lugar em que se encontra instalada, assegurou ao Expresso o assessor de imprensa do estabelecimento hospitalar mais conhecido por Amadora-Sintra, admitindo ter-se pensado aliviar o acervo para ganhar espaço físico.

Assim, a ideia de desprover o acervo das coleções de revistas está, pelo menos no médio prazo, fora de questão, isto depois de se ter gerado uma onda de indignação dentro de portas que levou à elaboração de um abaixo-assinado. Em três dias, mais de seis centenas de funcionários deram o seu nome contra o desmantelamento de uma biblioteca aberta ao público em geral, que “deve servir a todos em prol da melhor medicina que se pratica nesta instituição”.

“Tomámos muito recentemente conhecimento de que parte significativa do arquivo da biblioteca do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca irá ser destruída muito brevemente, sem que isso tenha sequer sido posto a discussão - literalmente será enviada para o lixo. Este arquivo inclui décadas de revistas científicas que não se encontram digitalizadas nem acessíveis de outra forma”, lê-se à cabeça do abaixo-assinado.

MINISTÉRIO DA SAÚDE NÃO VÊ RAZÃO PARA INTERVIR

Mas quando todos pensavam que a ideia era desmantelar a biblioteca e proporcionar apenas a leitura de publicações online, o conselho de administração vem agora dizer — em declarações ao Expresso — que nunca houve qualquer intenção de acabar com a biblioteca tal como ela existe, mas sim fazer doação das publicações periódicas para ganhar espaço.

“Há, de facto, uma necessidade logística (falta de espaço) que levou a Biblioteca a considerar doar revistas antigas, editadas por laboratórios e nunca consultadas pelos nossos clínicos. E porquê? Porque ocupam espaço necessário para os livros científicos que constituem o acervo da nossa biblioteca”, explicou um assessor do gabinete de comunicação, adiantando que terá havido alguma precipitação nas reações.

Para os subscritores indignados, no entanto, a ideia do conselho de administração era, de início, a “destruição do acervo histórico de revistas e livros, um péssimo precedente que não pode ser admissível na era da tecnologia em que vivemos”.

“A idade tecnológica em que vivemos deve respeitar o seu histórico, as obras dos que nos precederam, que continuam a ser válidas e a fazer sentido para entendermos o percurso da Medicina. Considerar que um profissional de saúde apenas necessita de ter acesso às obras recentes disponíveis online equivale a considerar que as bibliotecas já não têm sentido de existir”, reafirmam no abaixo-assinado.

Contactado o Ministério da Saúde, foi dito ao Expresso que não faz parte da política do governo desmantelar bibliotecas hospitalares. Quanto a este caso, ainda não há qualquer razão que justifique uma intervenção do Ministério.