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Um dos sete suspeitos do homicídio de empresário bracarense é vice-presidente do PDR

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Polícia Judiciária confirma que João Paulo Fernandes terá sido morto na altura do rapto, à porta de casa, em Braga, a 11 de março. Advogado Pedro Grancho Boubon, um dos detidos e suspeito de ser o mentor dos crimes, é vice-presidente do Partido Democrático Republicano

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Polícia Judiciária, através da diretoria do Norte, anunciou esta terça-feira de tarde a detenção de sete homens pela presumível autoria de crimes de sequestro qualificado e homicídio, entre outros crimes, de um empresário de Braga desaparecido desde 11 de março. Os crimes, segundo a PJ, terão sido cometidos entre as cidades de Braga e Porto na altura do rapto.

Depois de mais de dois meses de investigações, a secção de Combate ao Banditismo da Judiciária do Porto colocou em marcha a operação “Fireball”, tendo realizadas em simultâneo diversas buscas domiciliárias ao escritório de advogados de Pedro Grancho Bourbon, da mulher e de um dos irmãos, em Braga, e ainda em outros estabelecimentos do norte e centro do país. Na manhã desta terça-feira, a PJ cumpriu ainda sete mandados de detenção fora de flagrante delito, emitidos pelo Ministério Público-DIAP de Guimarães.

Em comunicado, a PJ refere que das buscas efetuadas “resultou a apreensão de várias armas de fogo, gorros, algemas, elevadas quantias de dinheiro, viaturas, entre outros objetos e documentos com relevância probatória”.

Os detidos, com idades entre os 27 e os 41 anos, advogados e empresários de profissão, um deles com antecedentes criminais por homicídio tentado e tráfico de estupefacientes, encontram-se detidos nas instalações da PJ do Porto e deverão ser presentes a interrogatório judicial já esta quarta-feira.

Ao que o Expresso apurou junto de fonte próxima do processo, o mentor do grupo criminoso será Pedro Grancho Bourbon, ex-advogado do pai da vítima de rapto e homicídio, que terá criado uma empresa-cofre, a Monahome, para ocultar o património da empresa insolvente Sociedade de Construções Fernando, avaliada em quase dois milhões de euros.

Na empresa fictícia, Pedro Grancho Bourbon, ex-secretário geral e atual vice-presidente do PDR, fundado e presidido por Marinho e Pinto, terá escondido 19 imóveis da família, que se queixou ao Ministério Público de ter ficado sem os bens nem o valor da venda dos mesmos.

A queixa apresentada por Fernando Martins Fernandes foi arquivada, mas o Expresso apurou que ainda está em curso um processo de recuperação dos imóveis no Tribunal Cível de Braga. João Paulo Fernandes, que há dois anos residia e trabalhava em Bordéus, após a falência da empresa de climatização Climalit, com dívidas de 3,6 milhões, terá sido raptado e morto por ser ele o membro da família mais ativo na tentativa de recuperação dos bens.

“Tudo indica que o mataram para o silenciar. Os pais e um irmão estiveram a viver na Madeira para fugir às ameaças de agressões, o que não aconteceu com João Paulo, que terá referido que não se iria calar”, adiantou ao Expresso próxima do processo.

  • Brigada de Combate ao Banditismo da Judiciária do Norte está a efetuar buscas domiciliárias e a um escritório de advogados bracarenses, depois de ter detido esta manhã, na zona do Grande Porto e em Braga, vários suspeitos de envolvimento no rapto e possível morte do empresário João Paulo Fernandes, desaparecido desde 11 de março