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PJ confirma detenção dos suspeitos de rapto de empresário bracarense

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Brigada de Combate ao Banditismo da Judiciária do Norte está a efetuar buscas domiciliárias e a um escritório de advogados bracarenses, depois de ter detido esta manhã, na zona do Grande Porto e em Braga, vários suspeitos de envolvimento no rapto e possível morte do empresário João Paulo Fernandes, desaparecido desde 11 de março

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Polícia Judiária da Diretoria do Norte confirma ao Expresso a detenção de várias pessoas suspeitas de envolvimento no rapto e possível morte de João Paulo Fernandes. O empresário de 42 anos foi raptado em frente à garagem do seu apartamento, em Lamaçães, há mais de dois meses, período durante o qual a família nunca mais soube do seu paradeiro.

O empresário bracarense, com residência e negócios em Bordéus, França, foi agredido por dois homens encapuzados e forçado a entrar à força num Mercedes em frente ao edifício onde morava a ex-mulher e a filha de oito anos, a única testemunha a presenciar o rapto do pai, ao fim da tarde de 11 de março último.

O rapto foi comunicado de imediato, logo após a criança em choque ter pedido ajuda na farmácia junto a casa. Segundo o "Correio da Manhã", desde a altura do rapto nem a vítima ou os autores do rapto contactaram a família.

Desde o desaparecimento, a investigação tem sido conduzida pela secção de Combate ao Banditismo da PJ do Porto, estando neste momento ainda em curso diligências e buscas efetuadas com a colaboração de agentes da Judiciária de Braga e Vila Real. Ainda de acordo com o "Correio da Manhã", a PJ chegou a admitir um ajuste de contas por cobrança de dívidas, dado o empresário ter deixado dívidas no valor de 3,6 milhões de euros antes de emigrar, após a falência de uma empresa de climatização.

Os negócios do pai, um empresário do ramo da construção civil também insolvente, foram também investigados. Em 2011, os pais do empresário raptado foram viver com uma filha para a Madeira, na sequência de várias ameças alegadamente feitas por credores.

Ex-advogado do empresário entre os detidos

Segundo o "Jornal de Notícias", a operação da PJ já levou à detenção de sete presumíveis envolvidos no rapto e homicídio do empresário bracarense, entre os quais três advogados: Pedro Grancho Bourbon, a mulher, e dois irmãos, entre eles Manuel Grancho Boubon, também jurista.

Com escritório de advogado em Braga, Pedro Bourbon foi apontado pelo pai de João Paulo Fernandes como principal suspeito do rapto. Fernando Martins Fernandes acusou o seu antigo advogado e do filho de se ter apoderado dos bens da Sociedade de Construções Fernando, transferidos para uma empresa de fachada, a Monahome, para evitar o arresto dos credores na sequência do decisão da insolvência judicial.

O pai do empresário raptado alegou que teria combinado com o advogado a venda fictícia do seu património (casas e terrenos), mas que acabou por nada receber. A queixa entretanto feita contra a Monahome foi arquivada pelo Ministério Público. Na altura do rapto, Pedro Grancho Bourbon garantiu que pagara um milhão de euros ao empreiteiro e negou qualquer ligação ao crime. Em finais de março, em declarações ao "JN", afirmou que tudo não passava de uma infâmia e que iria proceder judicialmente contra a família Fernandes.

[Notícia atualizada às 13h]