Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Temperaturas globais voltam a bater recordes e não há tecnologia que arrefeça o planeta

  • 333

O fenómeno El Niño está também associado ao aquecimento global

Christian Berg / Getty Images

O mês de abril foi o mais quente de sempre em termos globais, segundo a NASA. A tendência de os termómetros baterem recordes foi contínua nos últimos sete meses e poderá colocar 2016 à frente de 2015 como o ano mais quente de que há memória

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Enquanto em Portugal abril se revelou, mais do que nunca, das águas mil, em termos globais as temperaturas médias da Terra bateram recordes.

Dados revelados este fim de semana pela agência espacial norte-americana NASA indicam que a temperatura média global medida em terra e no mar esteve 1,11 graus Celsius acima das registadas nos meses de abril do período de referência – 1951 e 1980.

Mas o mês passado não é caso único, já que completa um ciclo de sete meses seguidos em que os termómetros globais assinalam pelo menos um grau a mais que o medido no período de referência.

A esta realidade não é alheio o fenómeno El Niño, que teve início em 2015. "Quando acontecem fenómenos como o El Niño, o oceano Pacífico fica mais quente e transfere energia para a atmosfera", explica o geofísico português Filipe Duarte Santos ao Expresso. Contudo, este fenómeno que pode durar cerca de ano e meio "não é a única explicação para o que se está a passar, já que o aquecimento global está aí", acrescenta.

"Não existe tecnologia para arrefecer o planeta"

Filipe Duarte Santos não quer ser alarmista, mas sublinha: "Se nada fizermos para mudar os nossos comportamentos vamos deixar um mundo muito diferente aos nossos netos e bisnetos e haverá milhões de pessoas que estarão longe de ter a qualidade de vida que ainda hoje têm".

O investigador lembra também que "não existe nenhuma tecnologia que permita arrefecer o planeta" e que, por isso, "são as pessoas que têm de forçar os governos a tomar medidas para deixarmos de ser tão dependentes dos combustíveis fósseis".

Cientistas citados pelo jornal britânico "The Guardian" falam em "clima de emergência".

O acordo de Paris, assinado a 22 de abril por mais de 70 Estados, pretende impedir que as temperaturas médias globais não subam mais de 1,5 a 2 graus Celsius até ao final do século XXI. Porém, tendo em conta as medidas adotadas até agora pelos signatários e pensando que estas serão reforçadas até 2020, dificilmente se conseguirá que os termómetros subam menos de 2ºC nos próximos 80 anos.

A elevada temperatura dos oceanos está já a ter fortes impactos pelo mundo fora, nomeadamente na Grande Barreira de Coral que está a ficar branca e a morrer.