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Eduardo Lourenço: PCP ao lado do PS é um "milagre de Fátima"

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Pensador descreve Marcelo Rebelo de Sousa como um "conciliador nato" e o seu estilo de intervenção como "fino"

A 13 de maio na Cova da Iria, em 2017, ou a 10 de novembro na Assembleia da República, em 2015. Dependendo do tipo de crença, ou da sua conjugação, estas podem ser duas datas milagrosas. Pelo menos, para Eduardo Lourenço. “Que o adversário quase mítico do PS [o PCP] leve o PS para o poder, se isto não é um milagre de Fátima não sei o que é”, afirma o pensador português, em entrevista o suplemento de fim-de-semana “Weekend” do “Jornal de Negócios” esta sexta-feira.

O responsável por esta geringonça mítica não é António Costa, disse. Na leitura de Eduardo Lourenço, foi um golpe de “talento, de génio” do PCP. Jerónimo de Sousa até recebeu elogios de Ramalho Eanes, lembra o filósofo.

Ainda na mesma entrevista, Eduardo Lourenço descreve Marcelo Rebelo de Sousa, de quem é conselheiro de Estado, como um “conciliador nato” e diz ter ficado surpreso por este não ser “prisioneiro de oposições já usadas no nossa passado recente”. Mesmo o estilo “hiperativo” de intervenção, com que muitas vezes é confrontado, é “fino”. “Ele sabe o que fazer”, diz Eduardo Lourenço

Nas vésperas de fazer 93 anos, o filósofo confessa ter já abandonado a escrita diarística, hábito que lhe foi próprio durante quase toda a vida, e estar, neste momento, a compilar crónicas que publicou na revista “Visão”. Já quando questionado se está a preparar um livro de memórias, o pensador diz não ter nada para contar de “memorável”. Mas muitos portugueses devem discordar desta opinião.