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Maria João Rodrigues: “Europa não pode ser demasiado intrusiva”

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Marcos Borga

Eurodeputada socialista defende que a Alemanha tem de colaborar para que outros países, como Portugal, possam ter melhores perspetivas de emprego, de forma a receber refugiados

Há uma perceção de que "a Europa não pode ser demasiado intrusiva" mesmo que seja com o intuito de recalibrar as economias, diz Maria João Rodrigues, eurodeputada eleita pelo Partido Socialista, em entrevista ao "Público" esta segunda-feira. Intrusiva pelas exigências que faz aos países-membros da União.

A deputada socialista, que foi a relatora de uma resolução aprovada no Parlamento Europeu, defende uma política económica mais virada para a procura interna e uma diferente estratégia de reformas estruturais: o chamado new deal ou manifesto por uma nova Europa. Para Maria João Rodrigues, este manifesto é um sinal de mudanças no pensamento económico ao nível europeu.

É necessário mais coesão interna, diz. É "muito difícil ter mais coesão interna enquanto o relançamento [económico] for tão incipiente e tão desequilibrado como está a ser na Europa. Portanto, há uma perceção muito generalizada de que alguma coisa tem de mudar."

Já a crise dos refugiados é um exemplo de como a Alemanha tem de mudar a sua posição."Os refugiados não querem vir para Portugal porque não têm ainda a confiança suficiente de que vão conseguir aqui empregos", diz ao "Público". Ou seja, se a Alemanha quiser que outros países tenham condições de receber refugiados, "tem de colaborar com esses países para que eles possam ter melhores perspectivas de emprego. Esta equação hoje em dia está a ficar cada vez mais clara."

Quanto a Portugal, diz ser "absolutamente crítico" que o país "consiga sair do défice excessivo, porque quando sair esse tipo de pressão diminui. E sobretudo quando conseguir combinar esse indicador com uma tendência consistente de redução do rácio de dívida pública."