Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

És homossexual? Não és mais minha filha

  • 333

MP e Bárbara vivem as duas um amor grande. Dizem que nunca sentiram nada assim. São felizes mas os pais não partilham essa felicidade. O pai de MP disse-lhe que só é homossexual porque quer, a mãe diz que aceita mas a filha sabe que não. Quando descobriu, o pai de Bárbara reagiu mal, que não foi essa a educação que lhe deu. A mãe sentiu-se enganada e finge que essa parte da vida da filha não existe

Quando se fala de amor incondicional, vem à cabeça o que os pais têm pelos filhos. Inabalável, que dura a vida inteira, aconteça o que acontecer. Será? Há filhos com histórias que contrariam essa ideia. Quando contaram aos pais ou quando os pais descobriram que a orientação sexual deles não era a esperada, para onde foi esse amor?

No dia a dia, a luta de MP e Bárbara por serem aquilo que são é constante mas as duas seguem em frente. Valem-se uma à outra e se quiseram dar as mãos num lugar público, ou um abraço ou um beijo, é isso que fazem. Porque a vida é delas e não dos outros. A propósito dos outros, o programa da SIC "E Se Fosse Consigo?" fez uma experiência com um casal de raparigas e também um casal de rapazes. Numa paragem de autocarro, os jovens namorados estão de mãos dadas, abraçados, enquanto são alvo de ofensas por parte de uma mulher. São todos atores mas a cena poderia acontecer na realidade. Haverá alguém disposto a impedir os insultos e a humilhação?

Bárbara diz que, quando os pais souberam, não sentir qualquer apoio lhe doeu muito mas ao mesmo tempo foi um alívio enorme. O segredo que a atormentava deixou de existir. Em vez disso, passou a ter de enfrentar a distância dos próprios pais. O assunto nunca mais foi abordado. Bárbara diz que à volta dela sempre se lembra de ouvir comentários negativos sobre os homossexuais e que os pais não contaram a ninguém porque, diz, "se calhar tinham medo também que eles fossem rejeitados pelo resto da família." Assim, é só Barbara quem se sente rejeitada.

MP deixou de ter contacto com o pai e quando recorda a forma como se lembra de ter sido tratada, a voz fica travada por uns segundos. Bárbara, ao lado, acode de imediato. "Então?". MP continua: "Nós, quando desiludimos os nossos pais por não corresponder aos sonhos deles, deixamos de ter pais". O amparo que precisava de sentir encontrou-o nos tios. Faz questão de sublinhar isso durante a entrevista. A tia nunca a reprovou por ser como é. Nem o tio. "Temos que passar por olhares, temos que passar por violência física e verbal, temos que passar pelo facto de os nossos pais não sentirem orgulho por nós sermos como somos. Tornamo-nos um bocado depressivos, podemos pensar em suicídio."

Solidão, depressões e casos extremos de suicídio são consequências da intolerância e da discriminação. A rejeição para MP é quase uma constante. Sempre se sentiu mais masculina do que feminina, veste-se à rapaz, e por isso diz que é como se fosse uma "extraterrestre". Quando a veem com a namorada, ainda mais. Conta o episódio de uma vez que Bárbara foi entregar um currículo e causou muita boa impressão mas quando, no dia seguinte, apareceu com MP, a possibilidade de trabalho deixou de existir.

A orientação sexual dos filhos não é um assunto dos pais

À Amplos-Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual, chegam relatos dos pais que procuram ajuda para compreender os filhos homossexuais mas também aparecem filhos a pedir conselhos sobre a melhor forma de se revelarem aos pais. Por causa da incompreensão, a associação estreou há dias na SIC o 'spot' da campanha "Isto é o que parece. Isto é amor". Duas mulheres abraçam-se, trocam carícias, gestos carinhosos. Num primeiro momento, parecem um casal. Afinal, são mãe e filha. Susana e Marta quiseram participar para mostrar que o amor verdadeiro enfrenta qualquer obstáculo. E a orientação sexual dos filhos não é sequer um obstáculo.

Susana, a mãe, deixa um conselhos a todos e em particular aos pais: «Informem-se, procurem saber, falem com amigos, peçam ajuda. Os nossos filhos não vão ser aquilo que nós queremos, vão ser aquilo que forem. Só podemos é fazer o nosso papel, passar-lhes as regras, os limites, torná-los bons cidadãos. Há tantas coisas que nós temos o dever de passar que não assentam na orientação sexual dos nossos filhos. As nossas expectativas são só isso, expectativas. Não são a realidade.»

A campanha da Amplos, Associação de Mães e Pais pela Orientação Sexual contou com a generosidade de muita gente. Não foi um trabalho encomendado. A ideia partiu da agência criativa e, a seguir, criativos, produção, técnicos, estúdio, produção musical, todos participaram de forma generosa. "Pro bono". Para o bem. Para chamar a atenção deste problema que afeta tantas famílias. O programa "E Se Fosse Consigo?" conta com testemunhos de jovens homossexuais, entrevistas com as duas protagonistas da campanha da Amplos e apresenta em exclusivo uma reunião de pais da associação, que partilham a forma como lidaram e lidam ainda com a orientação sexual dos filhos. "E Se Fosse Consigo?", esta segunda-feira, às 20h50, em simultâneo na SIC e na SIC-Notícias, seguido de debate na SIC-Notícias.

  • “O meu amigo foi vítima de bullying”

    “Parto-te a boca toda”. “Queres levar mais na tromba, ó nojentinho?” No palco, a tensão é grande. Pedro é a personagem em quem os outros atores descarregam a violência. Verbal e física. A peça de teatro “Bullying – uma história de hoje” decorre perante uma plateia de alunos do secundário

  • Não sou racista, até tenho um amigo...

    “E se fosse contigo, e se fosse consigo?, sempre tão polido, ‘até tenho um amigo’”. São as primeiras palavras do rap de Carlão feito a propósito do programa da SIC “E se Fosse Consigo?”. O episódio de estreia, esta noite, aborda o racismo e questiona os comportamentos e as atitudes dos portugueses perante uma cena ficcionada em que um pai racista humilha o namorado da filha e a filha numa esplanada, à frente dos clientes. “O teu namorado? Preto? Estas pessoas não são como nós.” À volta há pessoas a ouvir a conversa que passa dos limites. Até que ponto alguém se levanta ou diz basta?