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Um ano de intervalo – e pura liberdade

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Jose Antonio Rodrigues

Fazer um “gap year” é tirar um ano para si, em regra para viajar e percorrer mundo. Agora que a filha mais velha de Barack Obama anunciou que ia tirar um ano para ela, não se fala noutra coisa. Aqui ficam algumas dicas para quem quer partir nesta aventura formadora

Quando Malia Obama, a filha mais velha do presidente norte-americano, anunciou que iria para Harvard mas antes faria um "gap year", o tema regressou à ordem do dia. A menina de 17 anos quer aproveitar para viajar, trabalhar e ganhar outro tipo de treino antes de voltar a entrar numa sala de aulas tradicional. Esta opção de dedicar um ano da sua vida a outra coisa que não os estudos académicos é algo muito comum há muito tempo nos países anglófonos, como a Austrália, Nova Zelândia, o Reino Unido e os EUA. No país da rainha Isabel II, cerca de 200.000 estudantes empreendem um "gap year" todos os anos, enquanto do outro lado do oceano os norte-americanos se ficam pelos 30.000.

As vantagens deste momento de pausa são várias: além de alargar horizontes e aumentar a autonomia e a maturidade, ver o mundo só pode ser enriquecedor. Deixar a zona de conforto, as salas de aula das escolas, o sítio onde sempre se viveu são algumas das inevitabilidades que acompanham a decisão de fazer um "gap year". Esta é uma oportunidade para conviver com uma série de realidades às quais não se acederia normalmente e até, eventualmente, descobrir vocações. São viagens de profunda descoberta interior, em que as pessoas acabam por aprender muito sobre si próprias, graças às situações em que são colocadas. Maior independência, capacidade de se desenrascar, maior tolerância em relação à diferença são algumas das mudanças evidentes pelas quais passa quem viaja durante um ano - além da valorização do que se tem e a que antes pouco se ligava. Mas é também um ano de extraordinária aprendizagem, uma espécie de lição de História e geografia ao vivo e a cores.

Cada vez mais entidades empregadoras e universidades (Harvard incluída) valorizam este tipo de experiência no currículo. No regresso, podem trazer-se ideias novas de negócio na bagagem. Empreender um "gap year" pode ser igualmente compensador para quem sente necessidade de se arredar um tempo do mundo académico, com as suas regras, livros e horários. Muitos alunos - em especial rapazes, com mais dificuldades em estar quietos e concentrados, a aprender – beneficiam em aprender de outra maneira. Os pais podem até ajudar na preparação da viagem, de acordo com os objetivos dos viajantes.

Mochilas e plataformas de comboio: dois elementos comuns às viagens como a da "gap year"

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Francis Joseph Dean

Há conselhos que pode levar na mala. Antes de partir, documente-se e procure bem, pois são muitas as opções. Tanto pode passar um ano a fazer voluntariado, a trabalhar, a aprender um ofício ou simplesmente ao sabor da corrente, sem planos. Há possibilidades que aliam aprendizagem e diversão - como trabalhar num centro de reabilitação animal na Bolívia ao mesmo tempo que se aprende espanhol, ou muitas outras coisas. Empresas especializadas no "gap year", como a Gap 360, explicam quais os países que oferecem vistos temporários de trabalho (como a Austrália e Nova Zelândia), as vacinas necessárias em cada local, e dão acesso a outras coisas que podem ser muito úteis: uma linha telefónica de emergência, 24 horas por dia (caso algo corra mal), ajuda com os seguros, briefings de segurança. Mas, é claro, pode sempre ir à aventura - como é suposto.

Outro conselho prático é relativo à bagagem: não leve demasiado peso. Para viajar, o ideal é estar leve - ter uma mochila com o essencial e um trolley com rodas para o mais substancial. Mas vai surpreender-se com aquilo de que não precisa... Ah! E não se preocupe com a duração do seu "gap year" - lá porque a expressão diz que é um ano, podem ser 6 meses ou um ano e meio. O que interessa é que faça sentido para si...

A dois, a solo ou em grupo de amigos: tirar um intervalo de tempo para fazer um "gap year" a viajar é quase sempre garante de aprendizagem e crescimento

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Jose Antonio Rodrigues