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Sonho para um dia de verão

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A sensualidade na praia é sinónimo de biquínis ‘made in Portugal’. As portuguesas já se renderam. Agora é hora de conquistar o mundo

O panorama da moda de praia em Portugal mudou. Durante anos, eram os biquínis brasileiros os mais desejados em cada estação. Sinónimo de sensualidade, criatividade e tamanhos mínimos, faziam os desejos de sonhos de consumo. Timidamente, começaram a surgir marcas nacionais. Desenhos de mulheres apaixonadas por praia, feitos por costureiras locais e com ponto de venda e divulgação online, em especial nas redes sociais. Mas não era só uma experiência que estava a acontecer. É uma tendência que de ano para ano se vem instalando. E a crescer à medida que o calor se aproxima, com novas marcas a surgirem. Conquistaram o público, a indústria, e passaram da passerelle secundária para a principal.

As marcas nacionais são hoje a primeira escolha para as mulheres portuguesas e começam a conquistar mercado no estrangeiro. Foi um conjugar de talentos: a costa portuguesa, a tradição dos têxteis e confeção, a criatividade e a capacidade de improvisação lusa.

Cantê

Cantê

salvador colaço

E este sucesso não é difícil de medir e quantificar. Não se vê apenas na quantidade de #hashtags com os nomes das marcas nas redes sociais nem pelos editoriais de moda ou pelas celebridades que lhes dão a cara ou fazem questão de os usar. Vê-se, e muito, na forma como se esgotam, cumprindo o equilíbrio de procura e oferta que a economia ensina.
Faltavam dois meses para o verão e o tempo ainda estava frio, mas a Cantê Lisboa tinha já 13 modelos esgotados. Um percurso rápido de uma empresa que nasceu de uma ideia de amigas. Em 2009, Mariana Delgado e Rita Soares terminaram os cursos de Arquitetura e viajaram até ao Brasil, o sítio de excelência onde se compra swimwear. As amigas pediram-lhes que escolhessem e lhes trouxessem alguns modelos.

Latitid

Latitid

joel bessa

“Era normal ir ao Brasil e perder a cabeça a comprar biquínis. Quem nunca o fez?”, confessa Rita Soares. Elas perceberam que havia uma lacuna no mercado português e trocaram a regra e o esquadro com que se fazem as plantas dos edifícios pelas linhas curvas do corpo feminino. Ainda foram precisos dois anos em testes e provas para a primeira coleção da Cantê se concretizar. De início instalaram-se num ateliê pequeno em Belém que abria de vez em quando, agora têm uma loja no Chiado e fazem as sessões fotográficas em Bali.

Bohemian Swimwear

Bohemian Swimwear

carlos pinto

Cante (o acento só chegou mais tarde) significa ‘oxalá’ e tem sido marcada sempre por laços, fitas, estampas exclusivas (desenhadas pelas duas amigas) e modelos que se adaptam aos diferentes tipos de corpo, independentemente do tamanho. Se a princípio eram mais simples, com os anos foram ganhando mais cor e mais sofisticação. A coleção deste ano chega com novidades: além dos biquínis, triquínis e fatos de banho, traz capas para iPhones, blocos de notas e quimonos com os padrões da roupa de praia. “A Cantê conseguiu posicionar-se não apenas como marca mas principalmente como uma forma de estar na vida. É o que, entre nós, chamamos alma Cantê”, conta Rita Soares.

Um crescimento que Rita e Mariana garante ser sustentado e sustentável. Com tantas vendas e fãs em Portugal e encomendas (semanais) do estrangeiro, passará o futuro pela exportação? “Temos vários pedidos de lojas multimarca, mas a experiência de ir a uma loja Cantê é única. Temos medo que isso se perca, portanto estamos a pensar se esse caminho, a acontecer, vai ser feito em lojas multimarca ou em lojas próprias”, sublinha Rita.

O segredo é a alma do negócio

Uma alma produzida, maioritariamente, no norte do país. Em segredo. Tal como as linhas mais direitas e discretas que as irmãs Marta e Inês Fonseca e a amiga Fernanda Soares impõem nas coleções da Latitid. Nascidas em 2013, na cidade do Porto, de onde todas são naturais, elas tiveram a ideia de criar peças de roupa de praia que fossem uma fusão entre latitude e atitude. É que em cada coleção há um local de referência, à volta do qual giram todos as peças da marca.
“Cada coleção é uma viagem, uma visita a uma cidade cosmopolita, uma mistura harmoniosa entre história, arquitetura e lifestyle assente nas mais marcantes tendências de biquínis e fatos de banho. A primeira cidade escolhida foi o Porto, em 2014 a inspiração foi Barcelona, em 2015 Londres, seguida de Istambul em 2016”, explica Marta Fonseca. A cidade onde se mistura o Oriente com o Ocidente reflete-se através dos tons da Mesquita Azul ou dos azulejos presentes nos banhos turcos daquela cidade. Cada peça tem impressa a marca da latitude em que a coleção foi inspirada. Neste caso, é 41° 0’ 49’’ N.

Erica Bettencourt passou por muitas latitudes até criar a Bohemian Swimwear. Uma ideia que se concretizou em 2013 e hoje está representada em Nova Iorque e no Dubai, através de distribuidores locais. O sucesso dos biquínis nacionais também se mede na exportação. Uma barreira facilitada pelas vendas online, onde todas as marcas apostam, mas que Erica estendeu um pouco mais. “Além de Nova Iorque e do Dubai, estou a ver se arranjo representação em Espanha. É um mercado mais próximo e de onde já chegam encomendas”, conta Erica.

Licenciada em design gráfico, cresceu e vive de praia em praia. “Faço surf há anos e praticamente vivia na praia. Viajo imenso à procura de ondas e sempre fui uma apaixonada por biquínis.” Da Austrália ao Havai, Erica foi comprando uma coleção de biquínis até se aperceber de que também ela os podia desenhar. Passou do design de gráfico para o design de moda, foi fazer um curso de modelagem de roupa interior a Londres e criou a Bohemian. Este ano, chega ao verão com biquínis, triquínis e fatos de banho mais requintados. E com um ponto de venda exclusivo na Nude Fashion Store. “Apostei em materiais mais luxuosos. É uma coleção premium, mais especial.”