Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

António Saraiva: competências dos desempregados estão “desadequadas à nova economia”

  • 333

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Para o "patrão dos patrões", o Governo não está a responder "com eficácia a novos desafios". Digitalização da economia é um dos principais desafios para os desempregados

É preciso preparar os portugueses para a revolução tecnológica, apostar na requalificação das competências da população e diversificar a economia nacional. Estas são as recomendações deixadas por António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), para atacar o problema do desemprego, em entrevista à "Renascença" esta sexta-feira.

Para o "patrão dos patrões", o Governo não está a responder "com eficácia a estes novos desafios". "Temos que requalificar os nossos desempregados, porque quem está hoje no desemprego, com honrosas exceções, são pessoas com competências que estarão desadequadas à nova economia que temos em desenvolvimento", disse António Saraiva. Com a chegada da quarta revolução, "a digitalização da economia", e "há competências que têm de ser melhoradas".

Atribui os atuais números do desemprego à concorrência de outras economias, com outras regras. "Hoje temos que concorrer com economias que não têm as mesmas regras que nós, em termos ambientais, sociais, mas colocam os produtos na mesma região onde eu fabrico os meus com as tais regras desiguais. Isso tem um efeito perverso no emprego."

Quando questionado sobre o porque de algumas empresas não contratarem pessoas a partide de uma certa idade, António Saraiva disse que o "problema é que um país como o nosso, que tem o nível de desemprego que tem, que tem anualmente fornadas de jovens muito bem preparados a chegar ao mercado de trabalho, tomara nós que as empresas e que a economia estivessem a absorver a mão-de-obra que hoje tem, seja ela jovem ou mais sénior."

Como isso não está a acontecer, as empresas com capacidade de contratar, em igualdade de circunstâncias, "têm preferido, provavelmente, contratar um jovem com maiores competências a nível informático, de línguas, etc., do que um sénior que, provavelmente, tem sobre determinada profissão um enorme conhecimento de saber, de experiência feito, mas depois falta-lhe outras", justificou.

Ainda assim o presidente da CIP disse conhecer casos em que a preferência de determinada empresa "foi pelos conhecimentos do sénior, em detrimento do jovem, porque para aquela função específica era o conhecimento e a experiência daquela atividade, do mercado, dos fornecedores daquela cadeia, que era importante."