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Operação Fénix: Principal suspeito volta para prisão preventiva

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Ministério Público recorreu da decisão do tribunal, que tinha colocado o dono da empresa de segurança privada SPDE em prisão domiciliária, após a defesa ter recorrido da primeira condenação

Eduardo Silva, principal suspeito na Operação Fénix, volta a estar em prisão preventiva. Esta quinta-feira, o Ministério Público recorreu da decisão do tribunal que tinha colocado o dono da empresa de segurança privada SPDE em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, após a defesa ter recorrido da primeira condenação, avança a TVI 24 - e o Expresso confirmou.

Segundo apurou o Expresso, é pouco provável que Eduarde Silva regresse para a prisão de Caxias, onde esteve seis meses antes de ficar em domiciliária. Agora que volta a estar em prisão preventiva, deverá ficar detido num estabelecimento prisional no norte, uma vez que o processo foi transferido para Braga.

Desde quarta-feira, este é o segundo arguido que teve a medida de coação alterada.

Eduardo Silva ('Edu') está indiciado de, a coberto da atuação legal da sociedade SPDE, ter montado uma estrutura que, com recurso à força e à intimidação, lhe permitiu dominar a prestação de serviços de segurança em estabelecimentos de diversão noturna em vários pontos do país.

Os serviços de proteção pessoal de Eduardo Silva estendiam-se a toda a família do presidente do FC Porto. Chegou a fazer segurança ao irmão e irmã de Pinto da Costa quando uma casa da família foi assaltada. A 18 de novembro desse ano, Antero Henrique ligou a um membro da SPDE para acompanharem a irmã do "Sr. Presidente" à referida moradia na Cedofeita. As ordens dentro do grupo era de acompanharem a familiar com "roupa normal" e não levarem "sapatinhos e fato de treino".

Segundo o despacho de acusação, Eduardo Silva era também requisitado para buscar Fernanda Pinto da Costa a casa ou para realizar operações mais complicadas como a de proteger o número 1 do FC Porto de possíveis desacatos dos adeptos depois de exibições medíocres da equipa em casa, como aconteceu a 18 de maio do ano passado.

Para a acusação ficou indiciado que este grupo se dedicava às chamadas "cobranças difíceis", exigindo o pagamento de alegadas dívidas por meio de violência física e psicológica.

Os investigadores suspeitam que a SPDE organizava também serviços de acompanhamento e proteção pessoal para os quais não dispunha de alvará, pelo que alguns arguidos foram acusados de terem requisitado esses serviços sabendo que era proibido fazê-lo.

Pinto da Costa vai a julgamento

A decisão sobre a ida a julgamento dos arguidos da Operação Fénix foi proferida pelo Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), depois da realização do debate instrutório, em que o Ministério Público (MP) insistiu na pronúncia dos mais de 50 arguidos do processo, entre eles o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa e o administrador da SAD do clube, Antero Henrique.

Os dois dirigentes portistas são acusados pelo facto de, segundo o Ministério Público, terem requisitado serviços de acompanhamento e proteção pessoal à SPDE, tendo alegadamente consciência de que não o podiam fazer.

Pinto da Costa responderá em tribunal por oito crimes enquanto o Antero Henrique é acusado de sete.