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#NyalaUntukYuyun: a menina de 14 anos violada por 14 homens que deixou a Indonésia de luto

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Aos 14 anos, Yuyun foi violada por um grupo de homens quando regressava da escola. Foi encontrada com as mãos amarradas, com feridas e marcas de espancamento. E morta. A história está a gerar um intenso debate sobre a violência sexual na Indonésia

Velas por Yuyun (#NyalaUntukYuyun) é um movimento que tem ganho destaque nas redes sociais nos últimos dias. Em Jacarta, na Indonésia, um grupo de pessoas manifestou-se em frente ao palácio presidencial, esta quarta-feira, contra a violência sexual. Não há velas, tweets, posts ou manifestações que tragam Yuyun de volta. Mas podem ajudar a que outras meninas não acabem como ela. Um dia, Yuyun regressava da escola e foi violada por um grupo de homens. Mataram-na.

A 2 de abril, Yuyun voltava a casa, na vila de Kasiah Kasubun na ilha de Sumatra, depois de mais um dia de aulas. A menina de 14 anos foi agarrada, agredida e violada por 14 homens. Só dois dias depois o corpo foi encontrado por populares.

“Não temos grandes posses, os nossos filhos são o nosso mais precioso bem. É por eles que tenho lutado toda a vida”, disse Yana, mãe de Yuyun, citada pela BBC indonésia.

A progenitora conta que a menina era “a esperança da família”. Era uma das melhores alunas da turma e queria ser professora.

Já foram detidos 12 dos 14 suspeitos. Sete destes homens têm menos de 18 anos. Aos olhos da lei indonésia são considerados menores de idade e, por essa razão, ficam protegidos quanto ao castigo. A pena máxima que lhes pode ser aplicada só pode ir até dez anos de prisão. Os restantes estão em condições de passar o resto da vida atrás das grades.

Por todo o país, há quem peça pena de morte para os violadores.

“A Indonésia está de luto. Este caso chocou o país. Penso que é a primeira vez que algo assim aconteceu na Indonésia. Vou lançar um movimento nacional para os homens protegerem mulheres e crianças, tendo em conta que a maioria dos predadores é sobretudo homens”, referiu Yohana Yembise, ministra responsável pela pasta da proteção das mulheres e crianças, citada pela “Antara News”, numa visita à familía Yuyun.

Nos primeiros dias a história foi ignorada. Pouco ou nada foi dito ou escrito - aliás, a ministra apenas soube das notícias do crime através de um dos filhos que está a estudar no Reino Unido. O nome de Yuyun chegou aos media pelas redes sociais e pelas organizações de ativistas.

“Espero que este movimento não se fique pelas redes sociais. Precisamos de combater a violência sexual e fazer tudo o que for possível. A violência sexual é um problema urgente na Indonésia, mas a maioria das pessoas não se preocupa com isso”, conta à BBC Kartika Jahja, artista independente e ativista.

O debate online rebentou. E, aos poucos, começou a surgir nas ruas. Já chegaram ao governo da Indonésia pedidos para algo ser feito e prevenir histórias como as de Yuyun.

Há um forte estigma associado a vítimas de violação, explica outra ativista à publicação britânica. Sophia Hage, diretora da Lentera – um grupo que ajuda sobreviventes de violência sexual - defende que é urgente acabar com a máxima que a culpa da violação é da vítima. “A família e os amigos de quem é violado culpam a vítima em vez de se focarem no castigo do violador.”

É muito frequente as vítimas ficarem em silêncio. Não querem passar pelo que acham ser uma vergonha. Sofrem em silêncio ou são silenciadas.