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João Salgueiro: Costa “tem sido exímio a dar vida ao projeto que encabeçou”

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“Se não reestruturar a administração pública, [o Governo] pode ter de o fazer, é bom que reconfigure a administração pública", João Salgueiro

Para o vice-governador do Banco de Portugal depois do 25 de Abril, é preciso dar o “benefício da dúvida” a António Costa. Salgueiro alerta que quem vende à pressa, como é o caso do Novo Banco, vende mal

Pelo sim, pelo não, João Salgueiro, vice-governador do Banco de Portugal depois do 25 de Abril, diz ser necessário dar o "benefício da dúvida" a António Costa. Em entrevista à "Antena 1" esta quinta-feira, Salgueiro afirma que o novo primeiro-ministro "tem sido exímio a dar vida ao projeto que encabeçou".

Mas nem tudo é perfeito, claro. "Porventura Costa tem tido mais sucesso do que as pessoas imaginaram, o problema é saber se é convincente a nível internacional. Dou sempre o benefício da dúvida, sobretudo a pessoas que considero, mas em termos de probabilidades acho que é muito escassa", afirmou.

Para o banqueiro, que também é o dinamizador do novo manifesto sobre a banca,que pretende adiar o prazo de venda do Novo Banco para 2019, o primeiro-ministro devia ter interrompido as negociações sobre o Banif. "A negociação devia ter sido feita com muito mais dureza. Havia pretexto para interromper a negociação!".

E soluções para o Novo Banco? Soluções mal explicadas não podem ser toleradas, defende. Tem de se fazer um estudo e "um livro branco, tem de ser um grupo independente que publique as alternativas". "Já não temos muitos bancos portugueses para estarem a ser desbaratados por urgências que não sabemos que existem e por oportunismos que também não sabemos se não existem", disse à "Antena 1". O Manifesto dos 51, do qual João Salgueiro faz parte, tenta evitar esta venda "à pressa".

Quanto à questão da banca, que lhe é próxima, Salgueiro diz que a forma como está a ser gerida põe em causa a independência nacional. "Se acomodamos tudo, e se nos subordinamos a tudo o que vem de fora, ponham a independência nacional de fora", justificou.