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A guerra da “dívida” entre o PS e José Rodrigues dos Santos

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Ana Baião

PS não gostou de declarações do jornalista da RTP. Este responde denunciando “campanha de insulto” e "pressão”

Acusado pelos socialistas de promover a “desinformação”, pela forma como na abertura do telejornal de segunda-feira explicou na RTP o aumento da dívida pública em Portugal, o jornalista José Rodrigues dos Santos lamenta “o recurso a insultos por parte de deputados” e diz “não descer a um nível de conversa” a que não está “habituado”. Mas mantém os números citados na notícia, que fala em “dívida escondida”.

Na peça jornalística, acompanhada por um gráfico, Rodrigues dos Santos recuou vários anos, até 2005, para situar a dívida portuguesa nos 96 mil milhões de euros, “correspondentes a 62% do PIB”. Disse, depois, que tal montante obrigava Portugal a travar o endividamento, “o que não aconteceu”.

“Portugal fez exatamente o contrário”, continuou o jornalista, antes de concluir dizendo que a dívida pública atingiu no mês passado os “233 mil milhões de euros”.

Nas redes sociais, não tardaram a aparecer reações violentas, como as do porta-voz do PS, João Galamba, que chamou a Rodrigues dos Santos “especialista em desinformação”.

O deputado citou uma passagem da notícia, para afastar a explicação avançada. Em causa, a explicação dada pelo jornalista: “Para agravar as coisas, o Eurostat descobriu que vários países, incluindo Portugal, estavam a esconder a dívida em empresas públicas, dívida que não era incluídas nas contas nacionais”.

Ora, diz Galamba, “o Eurostat não ‘descobriu’ nenhuma dívida escondida, porque as contas das empresas eram conhecidas e, sobretudo, porque a razão pela qual a dívida de algumas empresas não era reconhecida como dívida pública era exactamente por causa do Eurostat e das regras contabilisticas definidas por esta instituição, que determinam o que conta e não conta como dívida pública”.

Mais violenta foi a reação do ex-deputado José Magalhães, também através do Facebook: “Este taliban toma por parvos e desmemoriados os que lhe suportam as homilías troikistas”.

Em entrevista ao jornal “i”, Rodrigues dos Santos fala numa “campanha de insulto”, que é “uma forma de pressão”, que rejeita. Aos deputados que o criticam, pede apenas que o convençam “com a razão, não com injúrias e intimidação”.