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Solidariedade de Medina agrada aos taxistas

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Tiago Miranda

“O presidente [da Câmara de Lisboa] está completamente solidário com a nossa luta” disse aos jornalistas o presidente da ANTRAL no final da reunião com o autarca

Os dirigentes das associações representativas dos taxistas saíram esta sexta-feira satisfeitos de uma com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que, dizem, se mostrou "completamente solidário" com a luta destes profissionais de transporte.

"O presidente está completamente solidário com a nossa luta. É um incentivo moral receber frases como as que nos endereçou", disse aos jornalistas o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio de Almeida.

Por seu lado, o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos, defendeu que "é preciso travar a forma ilegal em que a Uber desenvolve o seu trabalho para abrir portas para que as associações se possam sentar a mesa".

De acordo com Carlos Ramos, o autarca de Lisboa considera que "a Uber desenvolve uma atividade ilegal e que a forma como os serviços são prestados pela plataforma também são ilegais".

No final da reunião com o presidente da Câmara de Lisboa, pelas 13h30, os taxistas entraram nos automóveis, que estavam parados na Rua do Ouro, e seguiram em direção à Assembleia da República, onde esperam ser recebidos pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Cerca das 12h30, os taxistas entoaram o hino nacional em frente ao edifício dos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa, prosseguindo o protesto no local com buzinadelas e gritando palavras de ordem contra a empresa de serviço de transporte privado Uber.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Ramos, disse estar "surpreendido" como o número de taxistas que aderiram ao protesto.

De acordo com o dirigente da FPT, pelas 12h00 o início da marcha lenta estava na rotunda do Marquês de Pombal e a cauda da fila estava a meio da Avenida Almirante Gago Coutinho, o que corresponde a cerca de seis quilómetros de fila.

A marcha lenta - que tem como destino a Assembleia da República - passará ainda pela Avenida 24 de julho e Rua D. Carlos I.

Os taxistas pretendem levar as famílias, que, no início da rua D. Carlos I, deverão seguir a pé até ao parlamento com os carros atrás. Na Assembleia da República, os trabalhadores querem ser ouvidos pelos partidos.

A PSP aconselhou os lisboetas a andarem esta sexta-feira de transportes públicos para evitarem os congestionamentos de trânsito previstos.

O protesto está também a ser realizado no Porto e em Faro.

Esta iniciativa, organizada pela Antral - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros e pela FPT - Federação Portuguesa do Táxi, é o culminar de uma semana de luta destas duas associações para pressionar o Governo a suspender a atividade da Uber.

O serviço de transporte Uber permite chamar um carro descaracterizado com motorista privado através de uma plataforma informática, que existe em mais de 300 cidades de cerca de 60 países.

Num manifesto entregue ao Governo este mês, as associações apelam à população para se solidarizar na "luta contra a Uber" e afirmam que o serviço é ilegal porque não se "submete às regras legais que em Portugal disciplinam a atividade do transporte em táxi".

A Uber afirma, contudo, que todos os seus parceiros são licenciados e "devidamente escrutinados" e admite que a empresa pode começar a distribuir serviços para táxis em Lisboa e no Porto, à semelhança do que já faz noutras cidades estrangeiras.

Na véspera deste protesto, a plataforma informou que o serviço poderá ser hoje afetado por congestionamentos do trânsito.