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Parlamento português quer fechar central nuclear de Almaraz

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João Carlos Santos

A Assembleia da República aprovou, esta sexta-feira, um mandato para que o Governo pressione o Estado espanhol a encerrar a central nuclear junto ao rio Tejo

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Dois projetos de resolução, aprovados em Plenário esta sexta-feira, recomendam ao Executivo português que intervenha junto do Governo espanhol para que encerre de vez a central nuclear de Almaraz, localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, junto ao rio Tejo.

O projeto do PAN foi aprovado por unanimidade e o do BE por maioria (com a abstenção do CDS e os votos contra do PSD) devido às considerações do texto sobre a "inação" do anterior Governo PSD/CDS sobre este assunto.

"O Governo português tem agora um mandato claríssimo para tomar todas as medidas diplomáticas junto do Governo espanhol para levar ao encerramento de uma central que levanta preocupações, agravadas pelos sucessivos incidentes registados", afirma ao Expresso o deputado bloquista, Jorge Costa.

O PAN sublinha o facto de Almaraz estar a pouca distância da fronteira portuguesa, o que "expõe Portugal a eventuais perigos já que, nos últimos anos, tem vindo a registar vários incidentes que obrigaram a paragens no seu funcionamento".

A central de Almaraz tem 30 anos e dois dos mais envelhecidos reatores nucleares espanhóis. Era para ter deixado de funcionar em 2010, mas tem visto a sua vida útil prolongada por motivos económicos.

Os sucessivos governos de Madrid têm afirmado que há "garantias de segurança", para Almaraz continuar em atividade. Mas bloquistas e PAN lembram que a associação ambientalista Greenpeace já afirmou que "Almaraz não é segura e não se deveria permitir a manutenção da sua atividade", visto, entre outras falhas, "não possuir medidas de gestão de acidentes eficazes de modo a garantir a contenção total da radioactividade em caso de acidente grave ou não ter sistemas de ventilação com filtro e possuir um design débil que torna a central vulnerável a fatores de risco externos, sejam eles acidentais ou premeditados".

No início deste ano, após uma vistoria à central nuclear devido a repetidas avarias nos motores das bombas de água, inspetores do Conselho de Segurança Nuclear Espanhol tornaram público que o sistema de refrigeração não dava garantias de segurança.

No projeto de resolução, o PAN lembra que "em caso de acidente nuclear grave, numa situação em que se verifiquem ventos de leste que arrastem a nuvem radioactiva para a região da Serra da Estrela, por exemplo, em três horas a nuvem poderia entrar em território português".