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PSP do Porto registou agressões e danos em viaturas em protesto de táxis contra a Uber

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Rui Duarte Silva

Uma das queixas foi apresentada por um motorista que disse ter sido agredido. Fonte da Uber refere três incidentes, dois com motoristas e um com uma utilizadora da plataforma

O protesto desta sexta-feira dos taxistas contra a Uber originou, no Porto, vários incidentes que levaram a participações policiais devido a agressões e danos em viaturas, disse à Lusa fonte da PSP do Porto.

A mesma fonte indicou que uma das participações dá conta de agressões de "três indivíduos" a "um homem de 33 anos que estava a fazer um trabalho de motorista" na Batalha, ao passo que a outra indica que uma viatura, conduzida por uma "mulher de 29 anos que estava a fazer um serviço de transporte", foi atingida "por ovos e por uma pedra" quando circulava nas traseiras da estação de Campanhã.

O porta-voz da direção nacional da PSP, Hugo Palma, indicou à Lusa que um condutor da Uber se queixou hoje por agressões de "alguns indivíduos", na Praça da Batalha, no Porto, e acrescentou ter o registo de uma outra situação, na rua Pinheiro de Campanhã, relacionada com a viatura de uma mulher que disse trabalhar "para empresas de aluguer de viaturas com condutor".

Fonte oficial da Uber disse à Lusa que aconteceram esta sexta-feira três incidentes no Porto, dois com motoristas e um com uma utilizadora da plataforma.

Márcia Neves, motorista da Uber desde dezembro, disse à Lusa que apresentou queixa na PSP depois de ter ficado com o vidro traseiro do carro partido no momento em que se preparava para deixar uma cliente "nas traseiras da estação de Campanhã".

"Transportei uma cliente para a estação de Campanha. Sugeri deixá-la nas traseiras porque ali costuma haver problemas. Mesmo assim, quando estava a deixar a cliente, ainda com ela no carro, atiraram-me ovos e partiram vidro traseiro do carro", descreveu a motorista.

Márcia Neves acrescentou ter chamado a polícia ao local e ter-se deslocado a uma esquadra, onde apresentou queixa.

Junto a esta estação onde habitualmente se concentram muitos táxis, a Lusa viu, a meio da tarde, vários taxistas a arremessarem ovos contra outros taxistas que furaram o protesto, a carros que suspeitavam ser da Uber e a viaturas particulares.

Fonte da PSP do Porto disse à Lusa ter um registo de uma "viatura danificada" na rua Pinheiro de Campanhã (nas traseiras da estação ferroviária), pelas 15h40.

A mesma fonte da PSP do Porto afirmou que a participação deste caso foi feita por uma mulher de 29 anos, residente em Ermesinde, que informou estar "a fazer um transporte, com um cliente".

Na participação da PSP do Porto, a mulher relatou que a viatura em que se deslocava "foi atingida por ovos e apedrejada com uma pedra, que partiu o vidro de trás" do carro.
Segundo os relatos feitos à PSP, a mulher atribuiu a autoria destes atos "a indivíduos que não soube identificar".

A PSP do Porto adiantou ainda que, pelas 14h42, foram "acionados meios" para a praça da Batalha, devido a agressões.

No local, um homem de 33 anos, residente no Porto, disse que "estava a fazer um trabalho de motorista quando foi agredido por três indivíduos que se deslocavam a pé mas que não conseguiu identificar".

De acordo com a PSP do Porto, o agredido "refugiou-se numa unidade hoteleira" daquela zona da cidade e "disse que não desejava ser levado ao hospital", referindo que preferia "deslocar-se a uma unidade hospitalar pelos próprios meios"

Uma utilizadora da Uber contou hoje à Lusa ter sido "apedrejada por taxistas" depois de, cerca das 16:00, ter saído da viatura e quando se dirigia para a estação de camionetas da Batalha.
"Fui apanhada no meio das pedras e dos taxistas que corriam atrás do motorista da Uber", contou à Lusa Ana Pereira.

De acordo com fonte oficial da Direção Nacional da PSP, aquela força policial recebeu, em 2015, na zona de Lisboa, "22 denúncias de condutores da Uber por ameaças, tentativas de agressão e danos na viatura", enquanto em 2016, até final de fevereiro, se registaram "seis queixas" pelos mesmos motivos.

Segundo Hugo Palma, na área do Porto, em 2015, a polícia recebeu "oito denúncias" e, nos primeiros dois meses deste ano, registaram-se "duas queixas".