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PJ fez buscas nos estaleiros de Viana e no Ministério da Defesa

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José Caria

Operação da PJ no Ministério da Defesa está relacionada com a venda do navio Atlântida à empresa Douro Azul. Não há detidos nas oito buscas

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Durante esta sexta-feira decorreram oito buscas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, no Ministério da Defesa, em Lisboa, e também na empresa Douro Azul, no Porto, numa investigação denominada Operação Atlantis.

A Polícia Judiciária e a Procuradoria-Geral da República confirmaram a operação, revelando que se investiga "a eventual prática dos crimes de administração danosa, corrupção e participação económica em negócio".

Nas rusgas participam trinta inspetores da Polícia Judiciária, cinco Procuradores da República do DCIAP e dois Magistrados Judiciais.

Não houve até ao momento arguidos ou detidos no âmbito desta operação.

O Ministério da Defesa também emitiu um comunicado, adiantando que estão em causa "factos relacionados com a subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e a venda do Navio Atlântida".

A turismo Douro Azul, do empresário Mário Ferreira, também foi alvo de buscas durante esta sexta-feira. Há suspeitas na operação da compra do Navio Atlântida.

O navio custou 40 milhões de euros e tinha como projeto inicial o de transportar 750 passageiros e 140 viaturas. Os trabalhos de construção do ferry começam em 2007 mas os prazos derrapam.

Em 2009, iniciou-se uma batalha judicial e os estaleiros acabaram por ficar proprietários do Atlântida.

O Governo venezuelano de Hugo Chávez chegou a mostrar interesse na compra da embarcação, depois de uma visita ao país para ver o navio. Mas três anos depois o negócio abortou.

Em abril de 2014, os estaleiros abriram um concurso público internacional para a venda do navio. O concurso foi ganho por uma empresa grega que não chegou a formalizar a oferta e vence a segunda melhor proposta, a Douro Azul, do empresário português Mário Ferreira, que pagou 8,7 milhões de euros pelo Atlântida.

Em setembro de 2014, o Atlântida saíu da Base Naval do Alfeite para regressar aos estaleiros de Viana do Castelo, para ser totalmente remodelado e transformado num navio de luxo cujo objetivo seria o de realizar viagens de longa duração entre o Brasil, Peru e Colômbia. E passaria a ter capacidade oara 156 passageiros e 100 tripulantes.

A renovação iria custar 6 milhões de euros, mas nunca chega a acontecer.

Menos de um ano depois de o comprar, Mário Ferreira vendeu o navio a uma empresa norueguesa por 17 milhões de euros.