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Manif dos taxistas à passagem pelo Aeroporto: “Uber ilegal é crime nacional”

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À passagem pelo Aeroporto de Lisboa, palco de confrontos num passado recente, escutaram-se as palavras de ordem: “Uber ilegal é crime nacional”

André de Atayde

André de Atayde

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Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

(foto)

Fotojornalista

Lusa

Lusa

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Centenas de táxis chegaram cerca das 10h10 ao aeroporto de Lisboa, acompanhados de faixas negras, buzinadelas e palavras de ordem contra a empresa de serviço de transporte privado Uber. "A Uber é ilegal, é crime nacional", foram as palavras de ordem gritadas nos megafones e que ilustram também as bandeiras negras que os carros transportam.

Solidário com os colegas de Lisboa, Albino Lopes, de Leiria, quis marcar presença na marcha lenta, referindo: "Hoje é por eles, amanhã é por nós".

"A Uber está a trabalhar sem qualquer tipo de certificação, nem formação. É uma selva", disse o taxista de Leiria presente no protesto de Lisboa.

O também taxista Pedro Lopes mostrou-se satisfeito pelos colegas terem aderido em massa a esta marcha lenta, afirmando que "há cada vez mais carros a trabalhar ilegalmente" e é preciso "parar" esta situação.

Os taxistas estiveram parados no aeroporto de Lisboa durante 20 minutos e depois seguiram em direção a Avenida Almirante Gago Coutinho, onde se encontram parados, segundo a organização, justificando que há colegas que ficaram para trás.

A marcha lenta vai agora seguir para a Avenida dos Estados Unidos da América, em Lisboa.

Entretanto, a Federação Portuguesa do Táxi anunciou que o "gabinete do Presidente da Assembleia da República confirma receber a delegação do setor do táxi em conjunto com deputados da 6.ª Comissão de Economia".

A marcha lenta - que tem como destino a Assembleia da República - pela Avenida Estados Unidos da América, Entrecampos, Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida da Liberdade, Rossio, Rua do Ouro, Câmara de Lisboa, Avenida 24 de julho e Rua D. Carlos I.

Os taxistas pretendem ainda levar as famílias, que, no início da rua D. Carlos I, deverão seguir a pé até ao parlamento com os carros atrás. Na Assembleia da República, os trabalhadores querem ser ouvidos pelos partidos.

A PSP aconselhou os lisboetas a andarem hoje de transportes públicos para evitarem os congestionamentos de trânsito previstos.

O protesto está também a ser realizado no Porto e em Faro.

Esta iniciativa, organizada pela Antral - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros e pela FPT - Federação Portuguesa do Táxi, é o culminar de uma semana de luta destas duas associações para pressionar o Governo a suspender a atividade da Uber.

O serviço de transporte Uber permite chamar um carro descaracterizado com motorista privado através de uma plataforma informática, que existe em mais de 300 cidades de cerca de 60 países.

Num manifesto entregue ao Governo este mês, as associações apelam à população para se solidarizar na "luta contra a Uber" e afirmam que o serviço é ilegal porque não se "submete às regras legais que em Portugal disciplinam a atividade do transporte em táxi".

A Uber afirma, contudo, que todos os seus parceiros são licenciados e "devidamente escrutinados" e admite que a empresa pode começar a distribuir serviços para táxis em Lisboa e no Porto, à semelhança do que já faz noutras cidades estrangeiras.

Na véspera deste protesto, a plataforma informou que o serviço poderá ser hoje afetado por congestionamentos do trânsito.