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Sara Carbonero apaixonou-se pelo Porto e já faz de guia turística na cidade

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DANI POZO / Getty Images

A viver há oito meses no Porto, a mulher de Iker Casillas confessa que se apaixonou pela Invicta, pelo seu casco histórico, pelo mar e pelos portuenses. A um meses de voltar a ser mãe, a jornalista guiou a “Harper's Bazaar” numa viagem pelos lugares que a fazem feliz, roteiro que inclui monumentos icónicos, paisagens e espaços gourmet

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

“El fado alegre” é o título da reportagem ao interior do Porto, publicada na edição espanhola de abril da revista “Harper's Bazaar” e conduzida por Sara Carbonero com a ajuda da Associação de Turismo do Porto. No decurso da visita, a jornalista revelou todos os lugares que a encantam na cidade adotiva, desvendou surpresas e emoções, como a que sentiu ao ouvir Mariza no Coliseu do Porto. “Por muitos anos que passem, sempre que ouvir ‘Melhor de Mim’ recordarei os meus dias nesta cidade”, confidenciou.

Desde que chegou em julho do ano passado ao Porto, cidade que nunca visitara, Sara afirma que sentiu que iria seu feliz: “É o meu estilo de cidade. Tem um casco antigo belo, uma longa história, muitos recantos a descobrir e esse ar decadente de que tanto gosto, de coisas envelhecidas e ruas que transmitem séculos de vida”.

Ao lado de Casillas e do filho Martín, de dois anos, a sua primeira casa foi do lado de lá do Douro, no hotel vínico The Yeatman, pendurado sobre os telhados das caves de Vinho do Porto e vistas para a ponte D. Luís I, “grande emblema da cidade, a Torre dos Clérigos e a Ribeira do Douro”.

Rui Duarte Silva

FERNANDO VELUDO / NFACTOS

Messias Delmar

Nos 20 dias que durou a busca pela casa perfeita, Sara Carbonero lembra que esteve a um pequeno passo de cumprir o sonho de viver num edifício desenhado por Álvaro Siza Vieira, cuja obra a fascina e considera que talvez seja o filho mais célebre da cidade. O casal optou por viver num apartamento na Foz Velha, em frente ao jardim do Passeio Alegre, junto ao mar, o seu maior desejo por nunca ter vivido, nem sabe se voltará a viver, numa cidade com o Atlântico por companhia.

O filho, tal como ela, já fala “português um bocadinho”, não esconda a surpresa de a maioria dos locais dominar corretamente o castelhano e o inglês, que atribuiu ao facto de por cá não se dobrarem os filmes, como em Espanha. “A gente daqui é maravilhosa, hospitaleira, tranquila, autêntica e culta”, diz, confidenciado que anda a ler poemas de Pessoa no original, livros comprados na centenária Livraria Lello, que considera uma das mais belas do mundo e cuja escadaria vermelha não escapou ao olhar dos jornalistas da “Harper's Bazaar”.

O Palácio de Cristal, com os jardins por onde passeiam pavões reais, e o parque da Fundação Serralves são outros dos lugares “românticos” a que gosta de regressar com o filho. A emblemática Casa da Música, do arquiteto holandês Rem Koolhas, a igreja de São José das Taipas, a novecentista joalharia Reis&Filhos e as fachadas de azulejos do velho casario da Baixa também não escapam à admiração do guarda-redes do FC Porto, menos feliz na baliza do que Sara nas suas deambulações pela cidade.

LUCÍLIA MONTEIRO

rui duarte silva

A ROTA GOURMET DOS CASILLAS

Convidada a dar a conhecer quais são os seus locais de culto gastronómico, Sara aponta sete espaços de devoção, todos localizados na burguesa Foz, exceção feita a um restaurante em pleno Cais da Ribeira. A saber:

Cafeína

Inaugurado há 20 anos, o restaurante de Vasco Mourão é uma das referências gastronómicas dos noctívagos da cidade. Situado na Rua do Padrão, na Foz, celebrizou-se do outro lado do Atlântico quando Dilma Rousseff, em trânsito para a Alemanha, aterrou no Porto e teimou em não almoçar a bordo. Comeu bacalhau, prato de pronto batizado de “Bacalhau à Dilma” e que acabou por sair da carta, pelo menos com este nome, no verão passado, quando um grupo de brasileiros ameaçou abandonar o espaço farto das tropelias da presidente do Brasil. Sara diz que é um dos poucos sítios onde se pode cear fora de horas, após os jogos.

Terra

Situado do outro lado da rua, é o mais sofisticado dos quatro restaurantes do empório da alimentação de Vasco Mourão.

Casa de Pasto da Palmeira

Na Rua do Passeio Alegre, na vizinhança da casa dos Casillas, esta antiga tasca com vista para o Douro e a Afurada ganhou fama pelos seus muitos petiscos, uns de autor, outros de pratinhos de iguarias típicas da cozinha tradicional portuguesa. O ideal é partilhar.

Wish

O restaurante de estilo colonial-chique do chefe António Vieira abriu as portas no verão, após o mar ter destruído o Shis, no inverno de 2014. A carta de sabores contemporâneos não dispensa alguns pratos de alimentação saudável, como o sushi vegetal, que Sara diz que lhe salvou a vida de grávida, impossibilitada que está de comer peixe cru.

Praia da Luz

É umas das esplanadas mais bonitas e relaxantes da Foz: “Quem quiser comer marisco, este é o lugar. Os percebes e o arroz de lavagante são deliciosos”, afiança a jornalista.

Mercearia Miguel

Localizada na Cantareira, a centenária loja do senhor Miguel foi comprada por Teresa e Nuno sob juramento que o espaço manteria a sua original vocação e tradição. A promessa mantém-se, leal aos produtos frescos de proximidade - sempre que possível biológicos. Todos os dias há cinco ou seis alternativas de pratos, “deliciosos”, na apreciação de Sara.

Fish Fixe

Num edifício genuinamente portuense, no velho Cais da Ribeira, as especialidade da casa são o peixe fresco e o marisco, além de petiscos bem portugueses, a começar pelas incontornáveis pataniscas de bacalhau.