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Vamos “acabar com a malária de uma vez por todas”

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PIUS UTOMI EKPEI/AFP/Getty Images

O Dia Mundial da Malária assinala-se esta segunda-feira. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com a doença serão dificilmente atingidos se os Governos continuarem a cortar no orçamento de ajuda humanitária para a sua erradicação. A malária ameaça hoje metade da população mundial

O vírus zika está em todo o lado: nas conversas, nas notícias, nas políticas urgentes para a saúde. Mas existe um outro mosquito que transmite uma doença que pode causar complicações ainda mais graves, defende Yashaswi Gupta no website dedicado ao Dia Mundial da Malária, que esta segunda-feira se assinala, sob o mote “acabar com a malária de uma vez por todas”.

Embora a mortalidade provocada pela malária tenha diminuído 60% desde 2000, o mosquito ainda mata uma criança a cada dois minutos, como é evidenciado no último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado em setembro do ano passado. Entre 2000 e 2015 o número de casos infetados com malária caiu 37%, mas no ano passado ainda foram contabilizados 214 milhões de casos e 438 mil mortes. Destas, 90% registaram-se na África Subsaariana e 78% eram crianças com idade inferior a 5 anos.

Os progressos no combate à erradicação da doença têm permitido dar passos firmes em direção ao cumprimento de uma das metas do terceiro Objetivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM), que pretende “parar e inverter a incidência de malária.” Reduzir a taxa de novos casos e mortalidade em 90% e eliminar a doença em pelo menos 35 países são algumas das metas previstas. Para alcançá-las, segundo a OMS, é preciso triplicar o financiamento destinado à malária, alcançando 8,7 mil milhões de dólares (7,7 mil milhões de euros) anuais até 2030, num contexto em que quase metade da população mundial está em risco (3,2 mil milhões de pessoas).

No entanto, um relatório publicado no “The Lancet” este sábado assegura que os ODM relacionados com a malária irão falhar se os Governos continuarem a cortar nos orçamentos destinados a prevenir e combater a doença. Outro relatório do mesmo jornal científico, citado pela CNN, mostra que embora entre 2000 e 2009 a ajuda mundial destinada à malária tenha aumentado em 28,3%, desde 2010 está a decair para uma taxa negativa de -0,9%.

Mesmo os países com um historial positivo no combate à doença, como o México, China, Turquia e África do Sul, deverão receber menos 30% de financiamento nos próximos anos, com a ajuda a ser canalizada para outros locais e interesses, como as regiões afetadas pela epidemia do ébola (2014) e do vírus zika.

Provocada por um parasita do género Plasmodium, a malária é transmitida aos seres humanos através da picada de uma fêmea do mosquito Anopheles. Febre, dores de cabeça e vómitos são os seus primeiros sintomas mas, se não for tratada, a doença pode evoluir para uma fase mais grave e eventualmente levar à morte. A Europa (pouco associada à malária, mas que em 1995 atingiu 90 mil casos) foi o primeiro continente a ser declarado “livre de malária”.