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Radical, como sempre

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Em dia de aniversário, recordamos o início, falamos do presente e apontamos para o futuro da SIC Radical. Pedro Boucherie Mendes, diretor do canal, faz o balanço dos 15 anos e convida o público a juntar-se a uma festa em formato roast. É a 13 de maio (mas não é na Cova da Iria)

Irreverente, fora do comum, surpreendente. A SIC Radical surgiu há 15 anos e desde aí que se mantém em antena, sempre em busca de novos conteúdos, novos públicos e novas formas de fazer (e apresentar) televisão. Afinal, Darwin poderá estar errado, pois aquela frase de que a sobrevivência é dos mais fortes acaba por não se verificar. Pelo menos aqui. “A sobrevivência é dos que se adaptam melhor”, considera Pedro Boucherie Mendes, “e a SIC Radical soube perceber as tendências do mercado e o que acontecia lá fora.” O ADN do canal está lá, mas foi sofrendo mutações. Os tempos mudaram e o canal mudou com eles.

“Quando começámos, nada era como hoje”, lembra o diretor do canal, pois em 2001 “não havia Facebook ou outras redes sociais com esta relevância”, e os smartphones eram ainda uma miragem. Na altura, era mais fácil sobressair, porque “o público era muito menos instruído e o ecossistema competitivo era muito diferente”.

Se no início eram programas como “Howard Stern Show” que marcavam a antena, hoje “o domínio é do ‘Shark Tank’”. São fruto dos tempos, que refletem o interesse dos telespectadores por diferentes formatos ao longo da história da estação. Nem só de empreendedorismo vive a SIC Radical.

Foi aqui que o humor ganhou casa e foi ela a dar à luz muitos dos humoristas que hoje conhecemos. “A SIC Radical sempre foi vista pelos espectadores e pela crítica como um canal que lança novos valores, e isso é engraçado”, diz Boucherie Mendes, “uma vez que nós temos de ter audiências e esta função, de descoberta, pertenceria mais ao serviço público.” A SIC Radical também o faz. Foi lá (ou aqui) que surgiram vários nomes da apresentação — especialmente no “Curto Circuito” — e alguns dos mais conhecidos humoristas da atualidade. “Gato Fedrorento”, “Boa Noite, Alvim”, “Cabaret da Coxa”, “O Programa do Aleixo” ou “Homens da Luta” foram apenas algumas das apostas ‘fora da caixa’ do canal, sendo também impossível esquecer a aventura no mundo da informação. Era o tempo do “Nutícias”, um telejornal diferente em que a apresentadora se despia à medida que as notícias eram apresentadas.

O Presente e o futuro

Há que arriscar (sempre), mas com os pés assentes na terra. A televisão não é o que já foi, mas também ainda não deu o salto para uma nova realidade. O streaming está aí, e a SIC Radical foi o primeiro canal de cabo português presente no Netflix, com as série “Gente da Minha Terra” e “Gente da Minha Terra Europa” a integrarem o catálogo da multinacional de televisão por internet. “E isso é meritório”, considera o diretor, que avança a possibilidade de no futuro existir “uma plataforma de SVOD [vídeo por subscrição] própria”. Não será para já, é preciso tempo. “Ainda não temos uma SICflix.”

Entre a escolha dos conteúdos e a forma de os distribuir, há sempre muito a fazer, mas é importante fazê-lo em liberdade. O valor sempre foi uma prioridade do canal, pois só assim é possível fazer “apostas mais arrojadas” do que a concorrência. Nem sempre são bem compreendidas. “Vamos até ao limite do gosto”, admite o diretor, “mas cumprindo as leis do país, mesmo que às vezes a ERC [Entidade Reguladora da Comunicação Social] pense o contrário”. Para o futuro fica o desejo “de continuar a apresentar programas que as pessoas nem sonhariam existir”.
Quinze anos pode parecer pouco, mas já é uma data considerável num mercado em constante mudança. Boucherie Mendes aproveita “para lembrar que até podia já não haver SIC Radical”, uma vez que “é normal que as estações mudem de ideias”, alterem a identidade dos canais e lhes mudem os nomes. “Hoje, o espaço podia ser ocupado por uma SIC Filmes, séries ou até outra coisa”, mas o canal mantém-se e terá novidades em breve. O melhor é festejar (e nunca houve festa como esta).

O 15º aniversário da SIC Radical não vai contar com uma celebração comum e tudo acontecerá em formato roast, com o cinema São Jorge, em Lisboa, a receber vários convidados para uma noite de celebração e muita crítica. “Lembrei-me de fazermos um evento de bilheteira para comemorar os 15 anos, mas ainda me posso arrepender do que for dito.” É bem possível que tal aconteça, ou não fosse Rui Sinel de Cordes o roast master de um evento “para dizer mal da SIC Radical”. Nos nomes já confirmados estão também Salvador Martinha, Hugo Sousa, Ana Luísa Barbosa, Carlos Coutinho Vilhena. A noite de 13 de maio não tem regras e será Radical, como sempre.