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Feira verde e a pedido de várias famílias

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Espaços verdes da nova Feira Popular avançam em junho. Lisboetas chamados a dizer que atrações querem

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A primeira parte está desenhada e começa a ganhar forma em junho. A construção da nova Feira Popular de Lisboa arranca nos próximos dois meses com o projeto de um grande parque verde em Carnide, no qual estão previstas quatro grandes clareiras que hão de receber os entretenimentos do parque de diversões. O projeto de arquitetura paisagística do ateliê Topiaris, que o Expresso revela em primeira mão, bateu outras duas propostas e foi apresentado esta quarta-feira pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, na primeira reunião da Comissão de Acompanhamento da Feira Popular.

Com o primeiro projeto definitivo já aprovado — embora ainda esteja sujeito a ajustes de pormenor —, o presidente da autarquia sublinhou que a escolha feita entre as várias propostas recebidas concretiza as grandes opções definidas desde o início para a nova Feira Popular. Antes de mais, “aproveitar a casa nova para um novo patamar de qualidade” e para apostar num “parque de cidade, que não é um parque temático tipo Disney, desenhado como um parque de diversões com vocação turística, nem um parque local, ligado apenas àquelas freguesias, mas um espaço de convívio com zonas verdes, capaz de atrair os turistas que cá estejam mas que vive sobretudo de uma experiência que pode ser repetida por quem vive na cidade”.

O desenho dos espaços verdes, diz Medina, “corresponde a uma visão de parque urbano que tem autonomia face ao parque de diversões. No limite, se não tivéssemos as diversões, este parque urbano vale por si”, frisa o autarca. Mas as quatro grandes clareiras para implantação de equipamentos — uma delas com um lago — estão lá para isso mesmo, à espera de receber os “brinquedos”.

Que brinquedos quer?

Preencher os espaços em branco (na verdade, em verde...) é a parte que se segue, e as atrações não serão decididas em circuito fechado, garantiu a CML na primeira reunião que manteve com a Comissão de Acompanhamento, que inclui vereadores do executivo e da oposição, responsáveis de serviços da autarquia e representantes das forças vivas de Carnide (moradores, comerciantes, escolas e associações de pais e outras entidades envolvidas). José Sá Fernandes, o vereador responsável pelos espaços verdes, garantiu que em breve será lançado o processo de consulta popular, que passará sobretudo pela internet, para que os lisboetas digam que divertimentos esperam encontrar no futuro parque de diversões. “Não chega fazer estudos de mercado, queremos ouvir as pessoas”, diz Sá Fernandes. Os resultados serão tidos em conta no caderno de encargos para o desenho final do projeto, garante a autarquia.

Uma das principais preocupações expressas na reunião foi o ruído do futuro parque de diversões. Uma questão que a Câmara acredita ter sido acautelada com a opção de criar um desnível de cerca de oito metros entre o centro e a periferia do parque — por um lado, “afundando” as zonas centrais onde vão estar os principais equipamentos e, por outro, procedendo à modulação do terreno para criar “colinas” à volta do parque. É com esse processo de modulação do terreno que a obra arranca em junho — depois, as colinas terão árvores e uma barreira acústica, de forma a desviar a projeção de ruído e poupar os residentes daquela zona da cidade.

O modelo de exploração do parque de atrações e a definição final dos seus equipamentos ainda não estão fechados, e a autarquia encomendou um estudo à consultora McKensey. Mas, mesmo com essa parte do trabalho por concluir, avança não só a construção do parque verde como até ao final do ano estão em curso os trabalhos da área envolvente, incluindo dois parques de estacionamento. A autarquia promete uma solução ‘dois em um’: os mais de 1500 lugares que serão criados para servir a Feira Popular terão igualmente a função de parque dissuasor para quem se dirige à cidade.