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Hospital do Funchal sem medicamentos para VIH

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Doentes seropositivos têm a terapêutica suspensa porque a unidade não tem antirretrovirais para dispensar. Responsáveis garantem que a normal "situação está a ser gradualmente reposta".

"Nos últimos dias as pessoas que vivem com a infeção pelo VIH na Madeira viram-se forçadas a interromper o tratamento devido à rutura de stock na farmácia do Hospital Nélio Mendonça, na cidade do Funchal." A denúncia é feita pelo Grupo de Ativistas em Tratamento – GAT, que exige uma solução aos responsáveis locais.

Em falta está um medicamento que concentra três substâncias ativas num único comprimido e a respetiva terapêutica de substituição, ou seja, os três componentes em separado. "Nenhuma das versões está disponível para os doentes" em ambulatório, que vão ao hospital buscar os medicamentos, afirma o coordenador do Centro Anti-discriminação do GAT, Pedro Silvério Marques. Segundo o ativista, serão cerca de 315 os seropositivos seguidos na unidade hospitalar do Funchal.

"Os medicamentos não chegam à Madeira em caravelas. Há uma péssima gestão dos serviços de Saúde da Madeira, que não respondem aos nossos pedidos. Em janeiro fizemos queixa sobre a existência de falhas e ainda ninguém respondeu, nem mesmo o diretor do hospital", critica Pedro Silvério Marques. "Houve sempre problemas. No ano passado a situação agravou-se e a farmácia começou a abrir embalagens para dividir e assim conseguir dar medicação a todos os doentes, mas agora a rutura é total."

Ao Expresso, os responsáveis pelo Hospital do Funchal reconhecem que "os stocks deste tipo de medicamentos na farmácia hospitalar sofrem vários tipos de oscilações" e que "no dia de hoje, 22 de abril, apenas está em falta um antirretroviral". Por escrito, esclarecem ainda que "nas últimas 48 horas, os serviços farmacêuticos do hospital rececionaram outros antirretrovirais que estavam em rutura, do que se conclui que a situação está a ser gradualmente reposta".

A farmácia de ambulatório dos serviços de Saúde locais têm 3,5 milhões de euros para antirretrovirais durante este ano, mais meio milhão do que no ano anterior. O reforço é justificado pelo hospital com "o aumento do número de doentes portadores de VIH na região". Por isso, acrescentam que, "cientes da dificuldade ao nível do fornecimento da medicação aos doentes, os serviços optaram pelo fracionamento das quantidades a todos os doentes, de modo a reduzir ao máximo a interrupção da terapêutica, assim como as suas consequências". E, "em alguns casos, foi proposto pelo médico assistente terapêutica de substituição".

A legislação em vigor prevê que os antirretrovirais sejam distribuídos preferencialmente para um período de 90 dias ou, pelo menos, para um mês. O objetivo é evitar sucessivas deslocações aos hospitais e facilitar a necessária adesão total ao tratamento.