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Acordo de Paris soma 171 assinaturas numa “luta contra o tempo”

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O secretário de Estado norte-americano John Kerry assinou o acordo, enquanto segurava a neta ao colo

Jemal Countess/GETTY IMAGES

Pela primeira vez na história dos tratados internacionais, num só dia foi reunido o maior número de assinaturas em torno de um objetivo comum: confirmar o empenho de 171 nações em impedir que as temperaturas globais do planeta subam mais de 2ºC (ou de preferência não mais de 1,5ºC) até final do século. O objetivo é atenuar e retardar as consequências das alterações climáticas, naquilo a que Ban Ki-moon chamou de “corrida contra o tempo”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

O Acordo de Paris foi esta sexta-feira assinado por 171 países, numa cerimónia oficial na sede da ONU, em Nova Iorque. Entre os signatários constam os 28 Estados-membros da União Europeia, os EUA, a China, a Índia, o Brasil e a Rússia. A assinatura confirma o vínculo destes Estados ao compromisso de tentar evitar que as temperaturas médias globais subam mais de 2ºC (ou de preferência não mais de 1,5ºC) até final do século e assim se possam atenuar e adiar alguns dos impactos das alterações climáticas.

“Estamos numa corrida contra o tempo”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na abertura da cerimónia. Satisfeito por tantos países terem num só dia assinado o tratado internacional para evitar os piores cenários traçados pelas alterações climáticas para o final do século, apelou aos Estados representados na ONU para serem céleres na ratificação do Acordo. E lembrou: “Batemos recordes nesta câmara (com tantas assinaturas num só dia), mas os recordes estão também a ser quebrados lá fora, a nível das temperaturas globais, da perda da camada de gelo ou dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera”

Além das 171 assinaturas, o tratado internacional pelo clima recebeu também a ratificação de 15 pequenos países, maioritariamente Estados-ilhas. Mas para entrar em vigor, o Acordo de Paris precisa da ratificação de 55 países representantes de 55% das emissões globais de gases de efeito de estufa. O prazo para que tal aconteça é 2020, mas há pressões para que aconteça antes disso já em 2017.

Os Estados Unidos e a China, responsáveis por 38% das emissões globais dizem querer avançar com este passo ainda em 2016. Como o acordo não impõe metas e aceita as medidas propostas por cada um, e não aplica sanções a quem não cumprir, o Presidente Barack Obama, conseguirá ratificar o acordo sem ter de passar pelo crivo do Senado, antes das eleições marcadas para novembro de 2016.

Também a França quer ratificar o acordo até ao verão e espera que os restantes Estados membros da UE façam o mesmo no máximo em 2017. Mas as metas que estão em cima da mesa na Europa ainda terão de ser revistas. A proposta atual é de que a UE no conjunto reduza em 40% as emissões de gases de efeito de estufa até 2030, e aumente esse esforço para 80% até 2050. Mas há países, como a Alemanha ou a Suécia que querem ir mais longe, e outros, como os de Leste, que recusam por estarem ainda muito dependentes de combustíveis fósseis.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que depositou a assinatura de Portugal no Acordo de Paris, esta sexta-feira, disse ao Expresso que por cá “o processo de ratificação deverá passar pelo Parlamento não antes de Abril de 2017”.

Ban Ki-moon sublinhou que todos “os países têm de agir depressa se querem impedir que as temperaturas subam mais de 1,5ºC, pois a janela do tempo está a fechar-se”. E acrescentou: “A era do consumo sem consequências acabou”.

  • O segundo passo para ajudar a “salvar o planeta” é dado hoje

    O acordo de Paris pode ser o primeiro tratado internacional assinado logo no primeiro dia. Pelo menos 155 países estarão representados na sede da ONU em Nova Iorque, esta sexta-feira, para dar o segundo passo para que o Mundo se comprometa em salvar-se perante os cenários futuros de alterações climáticas