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Suinicultores prometem voltar à carga

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CARLOS BARROSO / LUSA

O anúncio é feito pelo porta-voz dos manifestantes que esta terça-feira cortaram a circulação na Estrada Nacional 1, deixando ainda duras críticas à intervenção policial junto dos protestantes

Depois dos protestos, mais protestos. Assim segue a luta dos suinicultores, que esta terça-feira se manifestaram na Estrada Nacional 1 contra a utilização de carne espanhola em produtos de origem portuguesa. A manifestação juntou cerca de meia centena de suinicultores causando, no calor da contestação, duas detenções e um ferido.

O anúncio de novos ajuntamentos foi feito por João Correia, porta-voz dos manifestantes, que também garantiu que o suinicultor ferido durante os confrontos da madrugada em Alcobaça já recebeu alta hospitalar.

Ficam as críticas à atuação das autoridades no local. "Vamos voltar ao protesto. O tratamento que tivemos esta terça-feira pelas forças da ordem só vem dar ênfase para que as pessoas se manifestem", disse João Correia.

O último protesto juntou meia centena de suinicultores desde as 14h desta terça-feira, em Alcobaça, e terminou por volta das 1h30 de quarta-feira, já em Rio Maior, depois de dois cortes da Estrada Nacional 1. Dois manifestantes foram detidos, tendo um deles ficado ferido durante os confrontos com a GNR durante o segundo corte da estrada, onde os suinicultores despejaram cargas de brita, condicionando a passagem do trânsito.

"Ao contrário do que dizem os agentes da autoridade, ele não caiu. Ele foi puxado e agredido diretamente por um agente do Corpo de Intervenção da GNR. Caiu pelo puxão que levou. Além das bastonadas que levou, tem a boca rasgada", disse o porta-voz dos manifestantes.

João Correia afirmou ainda que pediu ao presidente da Federação Portuguesa dos Suinicultores para que os "graves" acontecimentos das últimas horas "não passem em claro". "O ministro da Agricultura assobia para o lado. Temos tentado pedir à Administração Interna para pôr um bocadinho de água fria em cima dos seus homens para que não nos provoquem e o que tem acontecido ultimamente é que temos sido claramente provocados pelas forças da ordem."

Após um plenário nas proximidades da Benedita, no concelho de Alcobaça, os produtores de carne de suíno rumaram a Rio Maior, concentrando-se junto à empresa Carnes Nobre, uma das maiores indústrias de produtos transformados. Dois dos manifestantes saltaram o muro e tentaram invadir a fábrica, em confronto com elementos do Pelotão de Intervenção Rápida do Comando Territorial da GNR de Santarém, que desde o início do protesto se encontrava no pátio da empresa.

Os suinicultores, munidos de bandeiras e entoando palavras de ordem a exigir a demissão do Ministro da Agricultura, Capoulas Santos, deslocaram-se depois para Vendas das Raparigas, na freguesia de Benedita, onde recorreram a camiões para impedir a passagem do trânsito. Os suinicultores despejaram brita numa das faixas, impedindo o trânsito no sentido sul-norte e durante mais de meia hora os carros circularam de forma bastante lenta, sob orientação da GNR.

A nova manifestação ainda não começou a ser organizada.