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Mesquita Machado arguido no caso das “Convertidas”

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Mesquita Machado, em 2004, durante o XIV Congresso Nacional do Partido Socialista, no Pavilhão Multiusos de Guimarães

Rui Duarte Silva

Ex-presidente da Câmara de Braga foi esta quarta-feira constituído arguido no processo de expropriação do caso das Convertidas. O negócio suspeito de favorecer a filha e genro de Mesquita Machado foi contestado por Ricardo Rio e revertido a favor da autarquia

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Braga constituiu arguido, pela primeira vez, o ex-autarca socialista Mesquita Machado, suspeito de tentativa de corrupção e crime de participação económica no contestado negócio dos terrenos anexos ao antigo Convento das Convertidas.

A investigação em curso remonta a 2013, quando a Câmara de Braga executou a expropriação de um prédio e duas parcelas de terreno na Avenida Central, junto ao convento, pertença do Ministério da Administração Interna e que visava a instalação de uma nova Pousada da Juventude em Braga.

Segundo apurou o Expresso junto de fonte próxima do processo, o DIAP diz que Mesquita Machado terá tentado favorecer familiares no negócio, uma vez que as propriedades contíguas às Convertidas eram detidas por uma empresa do genro do autarca até poucos dias antes da expropriação. A compra dos terrenos pela empresa Imo Duarte foi alvo de três queixas-crime, tendo a expropriação sido contestada desde sempre pela vereação do PSD, na altura na oposição da autarquia.

Uma das primeiras medidas do atual presidente da Câmara de Braga, eleito pela coligação PSD/CDS/PPM, foi tentar revogar a decisão, tendo a compra e quase imediata expropriação sido anulada pelo Supremo Tribunal em 2014, na sequência do recurso autárquico.

Ricardo Rio afirma ao Expresso que o processo sofreu vários recursos e a “estranha contestação dos expropriados”. Embora se escuse a pronunciar sobre a situação de arguido de Mesquita Machado, o presidente da Câmara de Braga não esconde a sua satisfação pelo facto de o valor do negócio ter sido revertido a favor da Câmara, num total de cerca de 3,5 milhões de euros, o valor “pago pela expropriação e lesivo para o erário público”.