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Idiossincrasias de uma nova Cuba

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© Ueslei Marcelino / Reuters

Com a abertura do país de Fidel Castro ao mundo, surgem novos hábitos e novas perplexidades no modo de vida cubano. Como por exemplo, a necessidade de reservar lugar no restaurante com antecedência, para ir jantar

Cuba abriu-se ao mundo. Após décadas de regime Castrista (Fidel Castro tomou o poder em 1959), e de embargo económico, financeiro e comercial (imposto pelos EUA em 1962) que isolou o país, a ilha do Caribe está a redescobrir um maravilhoso mundo novo. A nação ainda vive debaixo da mentalidade comunista que a norteou durante 3 gerações - e assim, todos os dias, com a abertura ao capitalismo e aos 3,5 milhões de turistas que anualmente a visitam, surgem novos desafios e problemas.

Com a introdução da propriedade privada, floresceram os restaurantes – abriram várias centenas, desde 2011. Contudo, a lei cubana continua a afirmar que os lugares sentados nestes estabelecimentos não podem ultrapassar os 50. Na ilha, circulam duas moedas: o peso cubano conversível, destinado essencialmente aos turistas (1 euro = 1,14 pesos conversíveis), e o peso local, que os cubanos usam no quotidiano. Os restaurantes trabalham com as duas moedas. Não é ainda legal ter dois restaurantes – esbarra-se na lei que limita cada indivíduo a ter uma só propriedade (embora isto seja contornável com a distribuição dos estabelecimentos por vários membros da família).

Em Cuba, os restaurantes estão a adaptar-se a uma nova realidade: novos hábitos gastronómicos e uma chegada maciça de turistas.

Em Cuba, os restaurantes estão a adaptar-se a uma nova realidade: novos hábitos gastronómicos e uma chegada maciça de turistas.

YAMIL LAGE

Os proprietários vêem-se a braços com outras dificuldades, como a lidar com a falta de stock de ingredientes básicos como o café, o açúcar, o arroz ou certas bebidas... “Se eu quiser comprar 1 kg de café, tenho muitas vezes que ir a seis lojas antes de encontrar, e isto às vezes por toda Cuba”, conta Cesar Alvarez, um dos donos do restaurante “La Cocina de Esteban”, perto da Universidade de La Havana. Há ainda que formar uma nova geração de empregados – os “antigos passavam a maior parte do seu tempo a informar os clientes do que não havia na ementa. Os mais novos são mais apetecíveis para os proprietários, porque para lá de alguns falarem inglês, são muito mais simpáticos - e a possibilidade de ganharem uma pequena fortuna em gorjetas só lhes aumenta o sorriso... (O salário médio em Cuba continua a ser uns magros 22 euros).

A própria abordagem à gastronomia tem estado a ser reaprendida. Cuba não tinha uma tradição gastronómica muito elaborada – os pratos típicos eram de tradição crioula, com arroz e feijão, banana frita, ou peixe e marisco da costa. Aprender a aconselhar os vinhos que casam com determinados pratos é um dos novos desafios da restauração. Que descobriu também que existem pessoas que não comem carne – a quem se chama vegetarianos...

Os cubanos estão também a aprender a integrar novos hábitos – como a fazer reservas em restaurantes onde até há poucos meses se podia chegar em cima da hora e ter sempre lugar. Agora, os grandes grupos de turistas trocam muitas vezes as voltas aos habitantes locais. É toda uma nova cultura que começa a instalar-se. Embora a maioria dos cubanos não possa ainda desfrutar dos seus restaurantes, cujos preços são proibitivos para o seu nível de vida. Nem tudo mudou em Cuba...